Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

Servidores do Tesouro cruzam os braços amanhã, em dia de pagamentos do funcionalismo público

Outra paralisação está marcada para ocorrer na próxima terça-feira, 5. O secretário do Tesouro, Paulo Valle, afirmou que o órgão possui esquemas de contingência para a prestação dos serviços públicos

Antonio Temóteo, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2022 | 20h29

BRASÍLIA - Os servidores do Tesouro Nacional vão paralisar as atividades nesta sexta-feira, 1º. "Aprovado em Assembleia Geral Extraordinária, a paralisação ocorrerá no dia de concentração de pagamentos do Governo Federal", destacou a categoria em nota.

Outra paralisação está marcada para ocorrer na próxima terça-feira, 5. Apesar dos temores de atraso nas atividades, o secretário do Tesouro, Paulo Valle, afirmou ontem, 30, que o órgão possui esquemas de contingência para que os serviços públicos sejam prestados, incluindo os pagamentos ao funcionalismo.

A operação dos servidores do Tesouro, segundo o sindicato da categoria, já provocou o atraso da apresentação de relatórios fiscais, o cancelamento de comunicados a Estados e Municípios, o adiamento de reuniões com a Casa Civil, entre outras atividades.

Os servidores do Tesouro querem um reajuste salarial de pelo menos 19,9%, que recompõe as perdas inflacionárias entre 2019 e 2021.

Com remuneração anual entre R$ 380,38 mil (auditores da Receita) e R$ 341,1 mil (analista do BC) e salário médio entre R$ 26,2 mil e R$ 29,3 mil, essa elite do funcionalismo puxou a fila da articulação política de mobilização depois que o presidente acenou com aumento só para categorias policiais. 

Também está prevista para amanhã o início da greve dos servidores do BC. Ontem, a categoria subiu o tom e avisou que, se o governo conceder aumento apenas para os policiais, a paralisação será mais severa, com risco de interrupção parcial ou total do Pix, das operações de mercado aberto, de divulgações como o Boletim Focus e de taxas importantes para o mercado financeiro. Amanhã, os sindicatos devem se reunir com a Diretoria de Administração da autarquia para definir o funcionamento dos serviços essenciais durante o movimento. Os servidores do BC pedem reajuste de 26,3%.

Outras categorias se juntaram à mobilização nesta quinta-feira, 30, como os analistas de comércio exterior, que aprovaram uma paralisação para a próxima quarta-feira, 6. No mesmo dia, será feita uma assembleia para votar a adoção de operação-padrão e entrega de cargos comissionados. Com isso, pode haver atrasos em serviços como concessão de licenças de importação, autorização para uso de benefícios tributários nas compras do exterior e aplicação de direito antidumping. A categoria reivindica reajuste de 28%, que seria a recomposição da perda de poder de compra no governo Jair Bolsonaro

Os servidores da Controladoria-Geral da União (CGU) também decidiram hoje paralisar as atividades da próxima quarta-feira, 6. Com 95% de apoio em assembleia, os funcionários do órgão decidiram entrar em operação-padrão já amanhã, prejudicando a entrega de relatórios de auditorias. Os servidores da CGU pertencem à mesma carreira dos funcionários do Tesouro Nacional, que já tinham cruzado os braços nesta semana. De acordo com o Unacon Sindical, eles também pedem a abertura de uma negociação salarial com o governo. “As perdas inflacionárias sobre as remunerações podem chegar a 40% neste ano, se não houver um reajuste”, afirmou o sindicato.

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