Sesi e Sesc poderão ser integrados

Pela primeira vez, o chamado Sistema S, que entre outros, inclui os serviços sociais da indústria (Sesi) e do comércio (Sesc), o Senai e o Sebrae, será alvo de uma ampla discussão, envolvendo governo, empresários e trabalhadores. O presidente do Conselho Nacional do Sesi, Jair Meneguelli, instala nesta quinta-feira, em Brasília, o Fórum do Sistema S. Em quase 60 anos de história, nunca os presidentes de todas as federações das indústrias do País, governo e trabalhadores sentaram-se para discutir a democratização do sistema, sua forma de financiamento, suas ligações com o governo e os serviços que são prestados à população.O fórum, segundo Meneguelli - que também é o primeiro trabalhador a ocupar o cargo - não tem prazo para concluir seus trabalhos. Uma vez instalado, será montada uma agenda de debates sobre os principais temas. Meneguelli tem um objetivo ambicioso: construir a gestão tripartite do Sistema S, que até hoje desde a sua criação sempre foi uma entidade gerida exclusivamente pelos empresários. Atualmente, o Sistema S movimenta cerca de R$ 8 bilhões por ano de recursos."Ninguém quer desmontar o sistema, mas temos de integrá-lo e prepará-lo para ser um parceiro ativo dos novos programas do governo", disse o presidente do Conselho Nacional do Sesi. De acordo com ele, nenhum tema será tabu. A gestão tripartite, por exemplo, é uma velha reivindicação dos trabalhadores, que estarão representados no fórum pelas centrais.O tripartismo, na avaliação de Meneguelli, não significará que dois grupos se unirão contra um terceiro. Na gestão do sistema idealizado pelo ex-presidente da CUT e ex-deputado, as decisões deverão ser, preferencialmente, adotadas por consenso.FinanciamentoOutro ponto do debate que promete causar polêmica é a questão do financiamento do Sistema S. Na opinião de Meneguelli o recurso do Sistema S é público. Tanto é assim, argumentou, que ele é arrecadado pela Previdência Social e redistribuído para o sistema, que tem de prestar contas ao Tribunal de Contas da União (TCU). Meneguelli afirma que o dinheiro não sai do bolso do empresário, embora incida sobre a folha de pagamentos."A contribuição vai para a planilha de custo dos produtos e quem paga é toda a sociedade", explicou. Meneguelli defende que a contribuição para o sistema continue a ser compulsória, mas disse que os participantes do fórum poderão propor outra forma de financiamento, como por exemplo a incidência sobre o faturamento como forma de desonerar, mesmo que parcialmente, a folha de salários.Para todas essas mudanças, Meneguelli afirma que será preciso um projeto de lei. Mas mesmo antes de esperar as conclusões do fórum, Meneguelli já trabalha pela integração dos sistemas. Ele disse que hoje cada um é como uma ilha isolada e só funcionam juntos em coisas pontuais, com enorme derperdício de ações e dinheiro. Como exemplo, ele cita o Sesi de Taguatinga que tem capacidade para fornecer 40 mil refeições/dia, mas só tem demanda para 14 mil.

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