Sete Brasil apresenta a credores plano para salvar a empresa

Cenários traçados pela empresa preveemredução do número de sondas e recursosfinanceiros dos credores

JOSETTE GOULART, ANTONIO PITA, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2015 | 02h04

A Sete Brasil apresentará hoje a seus credores um esboço de um plano de reestruturação que traça uma série de cenários para recuperação da empresa, que pode contemplar a redução das encomendas de sondas, ajustes na composição acionária e na estrutura de capital. Os diferentes cenários foram aprovados ontem em assembleia de acionistas, no Rio, e servirão de base para a negociação com os bancos credores e o FI FGTS, que tem cerca de R$ 12 bilhões já inadimplentes com a companhia.

Segundo uma fonte da empresa, que ajudou a elaborar o plano, foram traçados cenários que contemplam a redução para até 13 sondas ou mesmo a manutenção do contrato de 28 delas. Também é aventada a possibilidade de a Sete se tornar operadora das sondas. Segundo essa fonte, é importante considerar o cenário com a totalidade das sondas pois já foram pagos R$ 20 bilhões aos estaleiros, que comprometeram os recursos ao fazer encomendas ou projetos de engenharia para navios que sequer começaram a ser construídos. Até agora, 17 sondas já estão em construção.

Antes de chancelar a redução do número de sondas, será preciso também renegociar com os operadores das sondas e com a própria Petrobrás, que é cliente e precisa aprovar a redução.

No plano financeiro, os cenários traçados contam com recursos dos credores atuais, que teriam de alongar as dívidas, e também com recursos de acionistas. De acordo com alguns acionistas, a reestruturação prevê que Banco do Brasil e a Caixa assumam as linhas de financiamento da empresa, até então sob tutela do BNDES.

Todos esses cenários servirão de ponto de partida para que se comece a estruturar um plano final que precisa ser apresentado até dia 30 de junho, quando vence o prazo dado pelos bancos para a Sete. A empresa está desde 31 de março em total inadimplência com as instituições financeiras. Parte do empréstimo tem garantia do Fundo Garantidor da Construção Naval (FGCN ), mas que só pode ser requerido pelos bancos em até 90 dias depois do primeiro atraso.

Outra situação que os bancos terão de analisar é a exposição que possuem nos estaleiros contratados para fazer as 28 sondas. "Os bancos terão de pensar em solução global", diz uma fonte da empresa. A Sete Brasil também está em dívida com os estaleiros que estão sem receber desde novembro do ano passado cerca de R$ 3 bilhões. No plano, a empresa tenta dar privilégio àqueles estaleiros que não pararam a produção, mesmo com os atrasos. Desta forma, os estaleiros Enseada, da Odebrecht e OAS, e Atlântico Sul, da Camargo Corrêa e Queiroz Galvão ficariam preteridos. Todos eles têm japoneses como sócios. Mesmo com os atrasos, os estaleiros estrangeiros Jurong e Brasfeels continuaram a produção, e teriam preferência. Já o estaleiro Rio Grande foi o que menos confrontou a Sete neste período.

Qualquer que seja o cenário aprovado, a Sete Brasil precisará de dinheiro novo e esta equação financeira é a que mais pesa para os credores. O possível desembolso do BNDES não é totalmente descartado, mas é considerado pouco provável.

A crise na empresa começou em novembro, na esteira da Operação Lava Jato, quando um ex-gestor da empresa, Pedro Barusco, fez acordo de delação e acusou os estaleiros de pagamento de propina. Durante este processo, o BNDES suspendeu a liberação do financiamento.

Mais conteúdo sobre:
Sete BrasilPetrobrás

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.