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Sete Brasil diz garantir sondas no prazo

Empresa adianta obras no exterior para evitar os atrasos em estaleiros no Brasil

SABRINA VALLE / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2013 | 02h07

A presidente da Petrobrás, Graça Foster, já manifestou sua preocupação com o atraso na construção de estaleiros no Brasil, de onde devem sair as sondas que vão possibilitar a exploração do petróleo do pré-sal. Mas a Sete Brasil, empresa criada para gerenciar a construção dessas sondas, com investimento próprio, e afretá-las à Petrobrás, garante que o cronograma será cumprido.

A Sete Brasil, que tem capital da própria Petrobrás, de fundos de pensões e de bancos privados, diz ter não apenas uma, mas duas opções de sondas adiantadas para inaugurar seu cronograma de entrega, em junho 2015.

Os estaleiros Jurong (ES) e Brasfels (RJ), contratados pela Sete Brasil, estão no páreo, garantiu o presidente da gestora João Carlos Ferraz, ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Para conseguir manter o cronograma, a empresa precisou adiantar obras no exterior. "A obra já está fazendo sombra. Estive em Cingapura e vi", disse Ferraz, citando frase do ex-presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli, de quem recebeu o primeiro lote de encomendas.

Ferraz visitou há cerca de um mês o estaleiro Jurong (Cingapura), onde 33% do avanço físico da primeira sonda está concluído. Enquanto isso, uma unidade do Jurong está em obras em Aracruz (litoral do Espírito Santo). No Brasfels, o avanço é de 29%.

As sondas são unidades de produção para águas ultraprofundas. Há 28 delas com contrato fechado com a petroleira, num investimento da Sete de US$ 25 bilhões. Um atraso no equipamento, que tem aspecto parecido com o de uma plataforma, atrasaria o aumento de produção do pré-sal.

"Os riscos de se fazer uma obra dessas no Brasil pela primeira vez são muito grandes. A boa notícia é que nós já sabíamos disso e montamos um forte plano para mitigá-los. As primeiras são as mais difíceis, não dá para, e não vamos, errar logo de cara", disse o executivo.

Apenas uma sonda precisa ser entregue em junho de 2015. Outras seis estão marcadas para 2016. Ferraz diz ter oito dentro deste prazo. A Sete Brasil pode escolher de que estaleiro sairão as encomendas, administrando as que ficarem prontas primeiro.

O temor de atraso reside no fato de grande parte das sondas ter sido encomendada a estaleiros que estavam no chão ou precisavam ser ampliados. Cinco estão com as encomendas: Atlântico Sul (PE), Keppel Fels (RJ), Paraguaçu (BA), Jurong (ES) e Rio Grande-Ecovix (RS).

O Keppel era o único que já estava pronto e sempre foi o candidato a entregar a primeira unidade. Jurong, com o adiantamento em Cingapura, passou na frente. O conteúdo local das primeiras sondas é de 55%. A partir da sexta, bate o teto de 65%. Ferraz garante que as exigências de produção nacional serão cumpridas. "Para evitar risco, as partes mais complexas das primeiras sondas começamos a fazer no exterior", disse.

Estruturas navais, flutuadores e o Ponto 1, miolo da unidade por onde passa a sonda de perfuração, serão feitos no exterior até que haja a transferência de tecnologia. Já as instalações para pessoal, guindastes, heliponto e hélices serão em parte fabricados no País.

Problemas. Entre os estaleiros problemáticos está o EAS, que já atrasou entrega de navios para a Petrobrás. Ferraz lembra que o estaleiro apresentou problemas por causa de uma malsucedida parceria com o coreano Samsung, que não transferiu tecnologia ou qualificou empregados a contento.

O grupo coreano acabou deixando a parceria no ano passado, sendo substituído pelo japonês IHI, parceiro tecnológico que também deve entrar como sócio do empreendimento.

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