Sete em cada dez brasileiros têm telefone celular, diz IBGE

Entre 2005 e 2011, o número absoluto de pessoas que usam esse serviço mais do que dobrou

Luciana Nunes Leal, da Agência Estado, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2013 | 02h02

RIO - Chegou a 115,4 milhões o número de pessoas com 10 anos ou mais de idade que têm celular para uso pessoal, mais do que o dobro dos 55,7 milhões de usuários de 2005. Sete em cada dez brasileiros (69,1%) têm pelo menos um telefone celular, indica a Pnad 2011, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Seis anos antes, eram menos de quatro em cada dez (36,6%). Apesar do avanço em tão pouco tempo, existem 51,5 milhões de brasileiros nesta faixa etária ainda sem telefone móvel.

Pela primeira vez, a proporção de mulheres com telefone móvel é maior que a de homens, embora a diferença seja pequena. Na população feminina, 69,5% têm celular e na masculina, o índice é de 68,7%. A inclusão no mercado de trabalho, que passou a proporcionar renda própria, é um dos fatores que explicam o crescimento da proporção de mulheres com celular.

Detalhes: Músicas são as mesmas, mas número de celulares chama a atenção

A Pnad não investigou o número de celulares por pessoa, mas dados da Anatel mostram que, em março deste ano, havia 264 milhões de linhas ativas de celulares, número maior que a população brasileira, de 195 milhões de pessoas.

A economista do IBGE Adriana Araújo Beringuy chama a atenção para o aumento significativo da proporção dos chamados trabalhadores dos serviços (pedreiros, marceneiros, pintores, eletricistas) com telefone móvel, que passou de 36,7%, em 2005, para 80,4%, em 2011.

"Embora muitos desses trabalhadores tenham escolaridade baixa, o celular é um instrumento de trabalho para eles. Já a internet é quase inacessível", diz a economista. Apenas 37,2% dos trabalhadores dos serviços se conectam à rede mundial de computadores.

Os mais velhos e os mais novos foram os que mais fizeram crescer o contingente de donos de telefones celulares. A proporção de pessoas com 60 anos ou mais com celular aumentou de 17%, em 2005, para 44%, em 2011. Ainda é um porcentual baixo se comparado aos 83% de donos de celular na faixa dos 24 aos 34 anos.

"Ainda que o celular tenha se difundido antes da internet e seja mais amigável, os mais velhos ainda usam pouco, mas o uso é crescente", diz Adriana. O celular também está cada vez mais presente na vida das crianças de 10 a 14 anos: em 2005, 19,2% da população nesta faixa etária tinha telefone móvel, fatia que passou para 42% em 2011.

Regiões. O Distrito Federal, que exibe as maiores taxas de renda e escolaridade do País, tem a maior proporção de pessoas com celular de uso pessoal, com 87%. No outro extremo está o Maranhão, com 45,2%, único Estado onde menos da metade da população tem telefone móvel. Em 2005, só 14% dos maranhenses tinham celular.

A Pnad mostra que Goiás e Rio Grande do Sul, Estados com grandes áreas rurais, estão, respectivamente, em segundo e terceiro lugar no ranking dos que têm maiores proporções de moradores com celulares. A tendência é que os telefones fixos sejam substituídos pelos móveis.

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