Sete gigantes de TI formam grupo para influir em políticas públicas

Sete gigantes mundiais de tecnologia e comunicações lançaram nesta quinta-feira, em São Paulo, o Fórum Latino Americano da Industria de Tecnologia de Informação e Comunicações. Formado por Intel, IBM, HP, Microsoft, Telefônica, Time Warner e Cisco, o grupo quer atuar diretamente junto aos governos da região na definição de políticas públicas que incentivem o crescimento do setor na América Latina.Especificamente com relação ao Brasil, o grupo defende a criação de um ambiente que reduza os custos de produção e acesso às tecnologias de informação. Segundo Bruno Di Leo, gerente geral da IBM América Latina, é preciso reforçar a proteção da propriedade intelectual, reduzir impostos e tarifas de importação, flexibilizar as leis trabalhistas, criar um marco regulatório claro e transparente, além do compromisso de obediência aos contratos. O Fórum quer atuar também na formulação de políticas públicas de inclusão social. "Todos temos pesados investimentos na região e pretendemos continuar por aqui, mas queremos levar o setor muito mais longe", afirmou José Maria Tallete, presidente executivo da Telefônica Internacional. O grupo defende, por exemplo, uma reavaliação da carga tributária do País, que ao mesmo tempo barateie o acesso aos produtos e iniba o alto índice de cópias piratas. Para se ter uma idéia, afirmou Tony Vieira, da Microsoft, o índice de softwares piratas em 2003 no Brasil foi de 61% das vendas. "Queremos políticas de reforço da fiscalização de fronteiras e aumento da penalidade sobre as ações de pirataria?, disse. Rui da Costa, diretor executivo da HP América Latina e Caribe, defendeu a aceleração da criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que seria uma forma de liberalizar o comércio de produtos da área de tecnologia da informação. O grupo também defende o comprometimento de todos os países da região com os acordos de compras governamentais da Organização Mundial do Comércio (OMC), que abre as concorrências públicas a empresas de todo o mundo. O grupo pretende levar ao governo um documento com todas essas reivindicações. A data ainda não foi definida, mas os principais alvos serão os ministérios de Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Di Leo, da IBM, afirmou que a superação da divisão digital no trabalho, na comunidade e nas casas, pode ser conquistada com preços mais acessíveis à melhor tecnologia e ao "amplo respeito ao direito de propriedade intelectual". Segundo o executivo, os países do G-7 (industrializados) investem 5% do PIB no setor de tecnologia da informação. Na Ásia, o porcentual cai para 3,5%, e na América Latina, entre 1,5% e 2,5% do PIB. "Esses dados provam que as economias desenvolvidas consideram a tecnologia da informação como fator primordial para a melhoria da produtividade", observou Di Leo. O gerente geral da Intel para a América Latina, David Hite, afirmou que os impostos e as tarifas elevadas de importação em vários países da América Latina afetam significativamente a disponibilidade e o preço de melhores produtos de tecnologia da informação e comunicação em todos os graus da sociedade, de empresas, organizações, governos, até pessoas físicas. Segundo Tallete, da Telefônica Internacional, o Fórum foi lançado no Brasil porque o grupo acredita que o País tem a capacidade de influenciar toda a região com suas ações, além de ser o maior mercado potencial da América Latina. Ele acredita que a política industrial lançada pelo governo pode tornar o Brasil um pólo de tecnologia da informação, inclusive exportando produtos, desde que haja mais rapidez na tomada de decisões por parte do governo.

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