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Sete perguntas essenciais sobre dinheiro para iniciar uma conversa

Não se trata de investimentos, o foco aqui é na família, nos sentimentos e no futuro muitas vezes desconhecido que, mesmo assim, precisa de planejamento

Ron Lieber, The New York Times

02 Setembro 2016 | 10h39

Estamos na época das longas caminhadas, do passeio lento pela praia, do tempo ocioso em que finalmente podemos falar e pensar o mínimo possível. Mesmo que você não consiga tirar férias nas próximas duas semanas, muitos locais de trabalho estarão mais silenciosos do que o habitual, permitindo talvez uma saída mais cedo e um jantar prolongado.

Não há época mais adequada que esta, então, para se fazer algumas perguntas sobre o dinheiro. Aqui estão as sete melhores questões que normalmente paralisam as pessoas e as fazem se abrir sobre a quantia de dinheiro que têm e as emoções que cercam suas finanças pessoais.

Não se trata de investimentos, pois hoje em dia é muito fácil colocar seu dinheiro da aposentadoria em um fundo que automatiza tudo ou se inscrever em um programa um pouco mais barato para distribuir suas economias por uma série de fundos.

Em vez disso, o foco aqui é na família, nos sentimentos e no futuro muitas vezes desconhecido que, mesmo assim, precisa de planejamento. Pegue um sorvete ou sirva-se de uma bebida forte e vamos lá.

O que você aprendeu sobre dinheiro com seus pais?

Faço essa pergunta quando aconselho amigos e parentes por duas razões. Primeiramente, ela pode ajudar a contornar uma culpa autoimposta. Você está determinado a manter certa classe social ou subir na vida porque, caso contrário, se sentiria um fracassado aos olhos de seus pais? Sente-se infeliz em sua carreira porque seus pais trabalharam duro para mandá-lo para a faculdade e você não consegue largá-la? Se seus filhos não forem para uma escola tão boa quanto a sua, vai achar que falhou com eles de alguma forma?

Além disso, é crucial falar explicitamente - com você mesmo e com seu cônjuge, caso tenha um - se, no caso, seus pais são seu modelo. O que especificamente lhe ensinaram que ajudou? E como, se nunca mencionaram alguns aspectos do dinheiro, eles podem ter falhado?

O que a palavra "dinheiro" significa para você?

Essa pequena associação de palavras pode parecer elementar, mas foi importante para Peg Eddy, planejadora financeira em San Diego, quando uma cliente respondeu com a palavra "comida".

A mãe da cliente era alcoólatra, e o auxílio-alimentação do governo não durava o mês todo, por isso ela começou a trabalhar aos 11 anos de idade e acabou se tornando uma acadêmica de sucesso. Por causa dessa história, foram necessários muito trabalho e muita conversa antes que ela se dispusesse a gastar dinheiro em coisas que poderia facilmente pagar. Peg descreveu uma espécie de vitória quando, um dia, recebeu um telefonema dessa cliente pedindo-lhe que viesse ver seu carro novo.

Outras respostas comuns à pergunta incluem segurança, liberdade, recompensa e fardo. Uma pessoa particularmente honesta respondeu com a palavra "controle".

Quantos filhos você gostaria de ter quando chegar a hora de se aposentar?

O crédito dessa pergunta vai para Derek Tharp, planejador financeiro em Cedar Rapids, Iowa, que disse ter se inspirado em um livro chamado "Selfish Reasons to Have More Kids" (Razões egoístas para ter mais filhos), do economista Bryan Caplan.

Tharp disse que os casais mais jovens que aconselhou geralmente pensam muito no custo financeiro das crianças em curto prazo e na quantidade de atenção que os pequenos demandam. Ele os encoraja a considerar mais cuidadosamente o futuro se querem aumentar a chance de estar rodeados de netos e ter filhos adultos que poderiam ajudá-los na terceira idade.

Que fique registrado que Tharp não tem filhos, mas não está casado há muito tempo e espera que o cão da família, Eli, não seja o último a viver sob os cuidados seus e de sua esposa.

Como você acha que seus filhos veem essa questão?

Às vezes, as pessoas que ligam para Julie Ford, planejadora financeira em Nova York, em busca de ajuda, estão passando por algum grau de aflição financeira. Caso tenham filhos, Julie diz que lhes faz essa pergunta, sabendo muito bem que a ansiedade dos pais quase certamente influencia também as crianças.

Ela percebeu que falar sobre os filhos muitas vezes deixa os adultos mais honestos e vulneráveis. "Também tento dar ideias de como envolver as crianças nas conversas sobre dinheiro. Se precisarem fazer cortes no orçamento ou as férias serão diferentes dali para frente, as crianças conseguem compreender. Pode ser um momento educativo e talvez até seja uma coisa boa."

Fale sobre sua situação financeira na época em que se conheceram.

Quando Ted Halpern, planejador financeiro com dois escritórios nos subúrbios de Washington, sente a tensão se formando quando conversa com casais, ele oferece essa oportunidade para que contem sua história. "Passam do rosto sério para os olhos brilhando. Eles se entreolham e percebem que, sim, ainda se amam."

Um dos casais falou sobre o primeiro encontro, em um Honda Civic, com o banco de trás quebrado e as janelas que abriam com uma maçaneta. Então ele perguntou: imagine que pudéssemos fazer um acordo naquela época dizendo que, 20 anos depois, vocês estariam casados e com filhos saudáveis, tendo seu próprio negócio com sua renda atual. Vocês assinariam esse contrato?

A mulher inclinou-se para frente e disse: "Com sangue".

As pessoas geralmente respondem afirmativamente, disse Halpern. E isso os ajuda a lembrar de um aspecto maior, caso estejam brigando sobre quais gastos cortar. Estão discutindo sobre algo que já têm.

Quais são as coisas mais importantes na sua vida?

Kevin Reardon, planejador financeiro em Pewaukee, Wisconsin, já experimentou várias perguntas ao longo dos anos, inclusive as três que George Kinder, que já treinou muitos planejadores, sugere. O que você mudaria em sua vida se tivesse segurança financeira absoluta? O que mudaria se descobrisse que só tem de cinco a 10 anos de vida? E do que se arrependeria se soubesse que iria morrer amanhã?

Reardon acabou optando por essa questão mais básica, que não tem relação imediata com dinheiro: "Se você conseguir chegar no porquê e no que motiva alguém, todo o resto se encaixa", disse ele. Isso significa usar a resposta e trabalhar em retrocesso para definir metas financeiras em torno dessas questões importantes.

O que é a aposentadoria para você?

Muita gente acha que já soube o significado dessa palavra e talvez alguns ainda saibam: independência financeira; não ter que trabalhar para sobreviver; viajar; uma fase da vida.

Duas vezes, no entanto, Rick Kahler, planejador financeiro em Rapid City, Dakota do Sul, ouviu a seguinte resposta: a morte.

Um cliente que disse isso, um médico, tinha alguma prova empírica de que esse seria o seu destino, pois todos seus parentes homens haviam morrido um ou dois anos depois que pararam de trabalhar.

Kahler diz que o ajudou a chegar a uma descrição ligeiramente mais otimista: a aposentadoria significa fazer o que quero, quando quero, com quem quero. Quando percebemos isso, uma aposentadoria bem-sucedida é só uma questão de preencher o calendário de atividades e convidar mais gente para participar.

 

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