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Setembro é o pior mês em 5 anos para criação de vagas

Desaceleração da economia já se reflete no mercado de trabalho e Caged aponta 209.875 vagas no mês, ante 246.875 em 2010

EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2011 | 03h05

A desaceleração da economia brasileira já se reflete no mercado de trabalho do País, que registrou o pior setembro dos últimos cinco anos. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, foram criadas 209.078 vagas com carteira assinada no mês passado, desempenho bem inferior aos 246.875 novos postos criados em setembro de 2010.

A última vez em que o mês apresentou saldo inferior a 240 mil vagas havia sido em 2006, quando foram criados 176,7 mil empregos. Apesar do resultado fraco ante a média dos últimos anos, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse não estar preocupado com o resultado do ano.

"O resultado não nos preocupa porque estamos no meio de uma crise internacional, mas a demanda doméstica continua forte. E a criação do emprego continua crescendo acima do crescimento da economia", argumentou Lupi. Até setembro, as admissões superaram os desligamentos em 2,079 milhões. No mesmo período de 2010, a criação líquida de vagas com carteira foi de 2,490 milhões.

Menor dinamismo. Lupi destacou que a principal causa para a redução do ritmo de geração de emprego é o menor dinamismo da indústria, que até setembro criou 28 mil vagas a menos do que as geradas em 2010.

De acordo com ele, os impactos são maiores nas indústrias mecânica, metalúrgica, têxtil e calçadista. "Por isso a gente destaca a importância da defesa da indústria nacional em relação à concorrência internacional."

Para o ministro, os saldos em outubro e novembro devem continuar positivos, próximos do nível de setembro. Segundo ele, a perda de vagas em dezembro deverá continuar na média dos anos anteriores e, portanto, a criação líquida em empregos celetistas - sem contar o serviço público - no ano deve ficar em torno de 2,3 milhões. No início de 2011, a projeção do governo era de 3 milhões de novas vagas.

Setores. Serviços foi o setor que gerou mais vagas, com saldo líquido de 91.774. Já a indústria de transformação - que paga os melhores salários - criou 66.269 vagas, enquanto o comércio foi responsável por 42.373 postos. Mas foi a construção civil, com 24.977 vagas em setembro, que apresentou a maior expansão no mês, de 0,91%. A agricultura teve redução de 20.874 postos formais no mês, principalmente por causa do cultivo de café, cuja demissão chegou a 25.405 vagas.

A região que criou mais vagas foi a Nordeste, com 89.424 postos. O segundo melhor desempenho ocorreu no Sudeste, com 67.107 vagas. Já a Região Sul teve saldo positivo de 29.958 empregos, seguida pelo Norte (12.377) e pelo Centro-Oeste (10.212).

Os Estados com melhor desempenho foram São Paulo (36.396 vagas), Alagoas (31.937) e Pernambuco (27.766). O Rio de Janeiro, com 23.903, teve desempenho recorde para meses de setembro. Já Acre e Rondônia tiveram saldos de apenas 86 e 243 vagas, respectivamente.

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