Setembro já bate recorde de captações do ano

Até ontem, US$ 6,3 bi foram captados no exterior pelo setor privado; o recorde anterior era de abril quando, no mês todo, foram captados US$ 5,6 bi

CRISTINA CANAS, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

Ao começar a segunda quinzena, setembro já detém o recorde mensal de captações corporativas do ano de 2010, que antes pertencia a abril. Do dia 1.º à manhã de ontem, US$ 6,3 bilhões já foram captados no exterior pelo setor privado, além das operações do BNDES (? 750 milhões) e do Tesouro (US$ 550 milhões).

No mês fechado de abril, o setor privado conseguiu US$ 5,6 bilhões e a União abocanhou US$ 787,5 milhões. Em julho - o terceiro melhor mês do ano - depois do mercado ficar dois meses totalmente fechado por causa das crises de dívida soberana europeias as emissões de empresas brasileiras no exterior somaram US$ 4,362 bilhões. E a República captou US$ 825 milhões em novas operações.

Chuva de dólares. Parte da enxurrada de captações registrada agora em setembro pode ser explicada pelo represamento que as férias do Hemisfério Norte impuseram aos investidores. Em agosto, somente o Bradesco se apresentou no mercado internacional de dívida corporativa e voltou para casa com US$ 1,1 bilhão nos bolsos. Por isso, os especialistas afirmam que o estouro das operações dos últimos dias não pode ser projetado para os próximos meses.

Apesar disso, os especialistas acreditam que as empresas continuarão firmes no mercado, garantindo saldos positivos de dólares para o País. "O diferencial de crescimento entre o Brasil e os outros países é grande, as empresas nacionais têm baixo risco e juro atrativo e a liquidez internacional é farta, por isso, as captações internacionais não são um fenômeno momentâneo. Essas operações vão permanecer", afirmou o economista-chefe do West LB, Roberto Padovani.

Dólar barato. O economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, concorda. Ele estima o dólar a R$ 1,60 no final de 2010 e avalia que somente uma piora mais intensa da crise europeia poderia ter mudando esse cenário. Mas o pior da crise europeia parece superado. (Ontem, a moeda dos EUA fechou em R$ 1,718).

"As captações têm fôlego para continuar. Vai ter mais. Passadas as eleições, o próximo presidente vai apresentar seus projetos de investimento e isso vai resultar em dólares para o Brasil", acrescentou, afirmando ainda que o País tem um potencial "muito grande".

Para o economista sênior do BES, Flavio Serrano, as emissões externas permanecerão em volumes elevados nos próximos dois meses. Após esse período, ele acredita que haverá uma moderação.Serrano também aponta que somente um acontecimento externo abalaria a atual janela de captações, provocando uma parada no fluxo de entrada de recursos e uma consequente correção na taxa de câmbio.

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