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Setor açucareiro europeu aposta em Lula

O setor açucareiro da Europa aposta no governo de Luiz Inácio Lula da Silva Lula para encerrar a disputa do açúcar entre Brasil e União Européia (UE) na Organização Mundial do Comércio (OMC), afirmou nesta quinta-feira à Agência Estado o representante do comitê europeu dos fabricantes de açúcar, Jean-Louis Barjol.Barjol participou do fórum sobre as expectativas da Europa e dos países em desenvolvimento em relação a rodada multilateral. O debate foi promovido pelo Centro de Políticas Européias e participaram como palestrantes, Mattew Baldwin, da direção geral de comércio da Comissão Européia, o embaixador brasileiro, José Alfredo Graça Lima, e o conselheiro australiano de comércio, James Larsen.A agricultura e o açúcar foram o centro das atenções, em decorrência da queixa brasileira na OMC, apresentada no começo de setembro, contra os subsídios europeus aos produtores do setor açucareiro.O impasse do açúcar atinge também os 48 países África, Caribe, Pacífico (ACP), beneficiados pelo acordo de Cotonou, pelo qual ganharam acesso ao mercado comunitário com tarifa zero sobre os produtos agrícolas. Pelo alvo indireto da disputa, o comitê europeu de fabricantes de açúcar acredita, de acordo com Brajol, que Lula deve mudar a conduta do governo de Fernando Henrique Cardoso. O bloco europeu usa o ACP para tentar neutralizar as queixas brasileira e australiana, alegando que afetarão o comércio de sócios internacionais "tão necessitados".Segundo Graça Lima, a União Européia não pode tirar o direito do Brasil de brigar por mais acesso de mercado. "O fato de estarmos desafiando o sistema europeu, não quer dizer que estejamos contra os países ACP, de menor desenvolvimento", afirmou o embaixador. Segundo ele, o Brasil é contrário a política européia de subsídio às exportações e não ao fato da UE importar açúcar, seja de qual país for. "O foco da questão está desviado propositalmente", disse Graça Lima, apoiado por Larsen.O australiano disse que a UE precisa corrigir uma política equivocada, que causa distorção de comércio. A UE compra dos países ACP açúcar bruto com tarifa zero, faz o processamento dentro da comunidade, subsidia as exportações e coloca-o no mercado internacional com preços maiores em relação à concorrência global.Os produtores de açúcar argumentam que quem está desviando o foco da discussão é o Brasil, porque o panel (comitê de arbitragem da OMC, caso as partes não cheguem a um acordo) em questão é contra a distorção do comércio em geral e por isso, o Brasil devia esperar as negociações multilaterais. "Não sei porquê o Brasil está tão apressado, logo que as previsões da FAO (Organização de Alimento e de Agricultura das Nações Unidas) apontam um aumento de consumo mundial de 30 milhões de toneladas até 2010", diz Barjol.O planeta consumiu, em 2001, 130 milhões de toneladas de açúcar. A Índia é o país que mais consome açúcar no mundo, seguida pela União Européia e pelo Brasil. "Nós não somos um mercado fechado, importamos mais produtos agrícolas dos países em desenvolvimento do que Canadá, Japão e Estados Unidos e temos que considerar quem realmente vai se beneficiar com a liberalização européia", disse Baldwin. "Somente meia dúzia de países, que não são necessariamente em desenvolvimento, Brasil, Nova Zelândia, Austrália, Canadá...".Baldwin disse que a UE já deu sinais concretos de que vai reduzir os subsídios, baseando-se nas conclusões da Cúpula dos 15, em outubro, quando decidiram em US$ 39,20 bilhões os gastos anuais para o setor agrícola, a partir de 2006, já pensando em uma União Europa de 25 países.A Comissão admite que "a UE precisa proteger seu mercado para resguardar o meio de vida de seus agricultores e que a Europa não é mesmo tão competitiva em agricultura quanto o Brasil, ou a Austrália", disse Baldwin.

Agencia Estado,

28 de novembro de 2002 | 19h01

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