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Setor agrário argentino inicia discussões com o governo

As duas partes estão em disputa desde um conflito que em 2008 fez o governo afundar em sua pior crise política

NICOLÁS MISCULIN, REUTERS

25 de fevereiro de 2009 | 10h18

Os dirigentes rurais argentinos, que na terça-feira encerraram uma paralisação contra a política agropecuária oficial, se reuniram pela primeira vez em sete meses com o governo local e destacaram a vontade de diálogo das autoridades. A paralisação de quatro dias dos produtores agrários, impulsionada pelos danos causados por uma forte seca e pelos preços baixos dos grãos, gerou um clima tenso antes da reunião com representantes do governo da presidente Cristina Fernández de Kirchner. Ambas as partes estão em disputa desde um conflito que em 2008 fez o governo afundar em sua pior crise política. As entidades rurais destacaram a predisposição ao diálogo mostrada pelos ministros de Produção, Débora Giorgi, e do Interior, Florencio Randazzo, assim como por parte do secretário da Agricultura, Carlos Cheppi. "Começou uma etapa de diálogo, com alguns resultados parciais. Há uma melhora, há uma disposição para buscar soluções", afirmou Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina, uma das quatro entidades envolvidas nos protestos. O setor rural quer que o governo deixe de intervir nos mercados, que ajude a aliviar os danos causados pela estiagem e que reduza os impostos. Buzzi destacou que, apesar de ainda não terem sido atendidos pedidos como a redução dos impostos sobre as exportações de soja, o governo afirmou que reduzirá a taxa paga sobre as vendas externas de produtos lácteos, entre outras medidas. Posteriormente, o governo detalhou as medidas tomadas nos últimos quatro meses e na terça-feira para beneficiar o setor, mas reiterou que não prevê modificar os impostos sobre as exportações da soja e outros produtos devido ao seu elevado custo fiscal em meio a uma crise global. "Em relação à questão das taxas sobre a soja, o girassol, o milho e o trigo, o governo mantém a posição de não alterar o nível do imposto", disse Giorgi em entrevista à imprensa. Na próxima semana haverá mais reuniões com o governo, de acordo com os dirigentes rurais e os representantes oficiais. A reunião de terça-feira foi precedida por duras acusações entre a Casa Rosada e os agricultores, e por uma paralisação comercial que deixou os mercados de grãos e de carnes praticamente sem atividade desde sexta-feira.

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