Setor agrário argentino mantém protesto após mudança de imposto

O conflito entre produtoresagrícolas e o governo argentino ganhou mais um capítulo nasexta-feira, apesar da mudança anunciada na véspera para osimpostos de exportação de grãos. Entretanto, uma das entidades rurais que comandam aparalisação destacou a mudança de atitude oficial, em um gestoconciliador que demonstra uma diferença com os demaisdirigentes. A gestão da presidente Cristina Fernández de Kirchner,desgastada depois de quase três meses de protestos, anunciou naquinta-feira mudanças no imposto sobre as exportações, mas amedida foi considerada insuficiente pelo setor, que ratificou aatual paralisação comercial. Apesar de vários dirigentes agrários terem afirmado que oanúncio oficial não mudava em nada a situação, Fernando Gioino,presidente da Coninagro -- uma das associações que sempre semostrou mais disposta a negociar --, considerou na sexta-feiraque a atitude do governo pode melhorar o diálogo. "Começou-se a conhecer uma posição distinta por parte dogoverno, e começaram-se a corrigir os erros. Tomara que issoseja o início para podermos dialogar", disse Gioino a uma rádiolocal. A Coninagro já tinha mostrado diferenças com as outras trêsentidades em conflito e a imprensa argentina chegou a divulgarno passado que ela abandonaria o grupo, o que fortaleceria aposição do governo. O setor agropecuário argentino deu início na quarta-feira àterceira paralisação em menos de três meses contra o esquemapara as exportações adotado em março, que elevou a taxa sobre asoja, o cultivo mais importante do país. Ante a resistência do setor, o governo reduziu naquinta-feira a alíquota sobre as vendas externas agrícolas, masapenas quando o preço dos grãos alcançar um nível muitosuperior ao atual. "Pode-se dizer qualquer coisa, mas não que o governo tem semantido inflexível. O governo tem corrigido coisas escutando asobservações que recebe", disse à Rádio Mitre o chefe dogabinete, Alberto Fernández, que tachou os dirigentes rurais de"inflexíveis e intolerantes". Em uma nova rodada de protestos, que pode aprofundar acrise e afetar as exportações argentinas de grãos, as quatroentidades rurais convocaram outros setores da sociedade ajuntar-se a eles na segunda-feira.

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