Setor agrário e governo argentino tentam evitar paralisação

O governo e os produtores ruraisargentinos tentam deixar suas diferenças para trás naterça-feira, apesar da negociação não ter avançado em umreunião secreta feita na segunda à noite, o que mantém a ameaçados produtores de retomar a paralisação em 72 horas. Depois da ampla paralisação comercial em março que deixou opaís à beira do desabastecimento de alimentos e de uma crisepolítica, o setor ofereceu no dia 2 de abril uma trégua de 30dias para negociar benefícios para o campo. Mas, diante da falta de soluções para o conflito, naquinta-feira passada o ministro da Economia argentino, MartínLousteau, renunciou. Ele foi a principal figura por trás dasmodificações sobre as exportações agrícolas que impulsionaram oconflito. Com a saída de Lousteau, funcionários e representantes docampo aceleraram as reuniões nesta semana, a fim de evitar queo setor volte a protestar. Na noite de segunda-feira, houve umdiálogo em um lugar secreto, sendo que poucos detalhes chegaramà imprensa. No entanto, alguns diretores das associações agropecuáriasdisseram que estão sendo negociadas mudanças nos impostos àsexportações de grãos e derivados. "Estamos falando dos impostos", explicou à televisãoargentina Jorge Srodek, secretário da Carbap, entidaderelacionada a uma das quatro associações que lançaram aparalisação. "Na verdade, não tem nada resolvido, isso está sendonegociado muito discretamente para não levantar falsasexpectativas", disse Srodek, acrescentando que eles tambémconversam sobre problemas nos mercados de trigo e carne. A Argentina é um dos maiores exportadores mundiais degrãos, derivados e carnes. A principal queixa do setor é a alta nas taxas àsexportações de soja e girassol, e limita os lucros quando opreço dos grãos aumenta nos mercados internacionais. Com o imposto, o governo pretende impedir que os altospreços do mercado externo transbordem para o interno eprejudiquem a população pobre. (Reportagem adicional de Helen Popper)

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