Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Setor agrícola apoia processos na OMC

O Brasil deverá enviar processos contra a União Europeia por conta da carne bovina e outro questionando os Estados Unidos sobre o etanol

Raquel Landim, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2010 | 00h00

Lideranças do setor agrícola reagiram ontem às declarações do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e saíram em defesa dos processos movidos pelo Brasil na Organização Mundial de Comércio (OMC).

Em entrevista ao Estado, Rossi defendeu que os setores que se sintam prejudicados por outros países tentem um acordo direto com os concorrentes e evitem disputas na entidade máxima do comércio global.

"Negociar é sempre melhor. A questão é que nos casos que estão em análise foi esgotada a via da negociação. Foram anos de negociação infrutífera", disse Pedro de Camargo Neto, mentor do painel do algodão e ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura na gestão Fernando Henrique.

Dois processos estão em vias de serem enviados pelo Brasil para a OMC: carne bovina contra a União Europeia e etanol contra os Estados Unidos. O Brasil questiona as exigências de rastreabilidade da carne feitas pela UE e a sobretaxa cobrada pelos EUA na importação de etanol.

Para Camargo Neto, o caso da carne bovina é "claro e muito forte", porque os europeus fazem exigências duras ao Brasil, mas não cobram rastreabilidade de outros fornecedores, como Estados Unidos e Canadá.

"Seria ótimo se o ministro pegasse um avião para Bruxelas e voltasse com um acordo para a carne bovina, mas é muito improvável", disse. Ele ressalta ainda que a postura de Rossi enfraquece a posição negociadora do Brasil, porque o contencioso é uma arma para forçar mudanças dos parceiros comerciais.

Marcos Jank, presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), disse que o ministro está correto quando diz que a negociação é o melhor caminho, mas que os processos na OMC são um poderoso mecanismo de pressão. "Esgotamos três anos de diálogo. A via da negociação está sempre aberta, mas não podemos abrir mão de um instrumento importante", disse

Ele ressalta que o setor foi bem sucedido no processo movido contra os subsídios da União Europeia aos açúcar. Graças ao painel brasileiro, a UE reformou sua política agrícola e deixou de ser o segundo maior exportador mundial do açúcar.

Década. Um dos argumentos de Rossi é os processos na OMC demoram muito. "É melhor negociar do que uma disputa na OMC, que pode levar uma década", disse. O caso do algodão se arrasta por mais de dez anos.

Camargo Neto admite que esse processo demorou, mas afirma que o governo brasileiro foi "leniente". "O Brasil deixou tudo parado por anos aguardando a Rodada Doha", disse.

O Estado procurou a Associação Brasileira dos Exportadores de Carne Bovina (Abiec), mas seus representantes não foram localizados por conta das festas de fim de ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.