Setor alimentício investirá US$ 7,8 bi em máquinas

O aquecimento do mercado de alimentos, com expectativa de crescimento real nas vendas da indústria de pelo menos 5% em 2001 sobre o anterior, irá refletir na produção de máquinas e equipamentos. Os pedidos em carteira indicam que a indústria alimentícia irá investir, neste ano, entre 20% e 30% acima dos US$ 6 bi desembolsados no ano passado na aquisição de novas linhas de produção e modernização do parque industrial, podendo bater na casa dos US$ 7,8 bi. Estudo feito pela Câmara Setorial de Máquinas para Indústria Alimentícia, Farmacêutica e Cosmética da Abimaq (Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos) indica que até 2004 a indústria de máquinas para o setor de alimentos manterá firme o volume de negócios com expectativas de taxas de crescimento anual da ordem de 15%. A Associação Brasileira das Indústrias Alimentícias (Abia) confirma o bom andamento dos negócios. A entidade estima que as vendas reais do ano passado, cujos dados ainda não foram computados, encerram por baixo com alta de pelo menos 3% sobre o incremento real de 3,4% registrado em 1999. Pela primeira vez na história, os fabricantes de alimentos contabilizarão em 2000 uma receita líquida superior a R$ 100 bi graças ao alto consumo de produtos de maior valor agregado. Amílcar Lacerda de Almeida, gerente do Departamento de Economia de Estatística da Abia, garante que para 2001 o faturamento será muito superior aos 5% projetados nas vendas devido à retomada no consumo de produtos de maior valor agregado. "O consumidor volta a concentrar compras em produtos dessa linha que já apresentaram bom desempenho em fins de 2000", ressalta. Liderança em investimentos - Frigoríficos e o setor de leite e derivados, segundo a Abimaq, liderarão a lista de empresas que mais investirão no setor de alimentos no novo milênio. "As indústrias estão operando no limite de sua capacidade instalada e pelo volume de propostas recebidas o incremento no setor de máquinas deverá bater nos 30%", avalia Rogerio Otollia, presidente da Câmara Setorial de Máquinas para Indústria Alimentícia, Farmacêutica e Cosmética da Abimaq. A boa notícia não pára aí. Pelas contas de Otollia, apenas o segmento de frigoríficos, abrangendo toda cadeia produtiva, irá despender algo ao redor de US$ 5 bi até 2004. É que esse setor quer expandir as exportações no mercado interno, em alguns casos até 25% nesse ano sobre 2000, concentrando os negócios principalmente no Mercosul. "Todas as empresas frigoríficas do sul do País estão investindo em expansão da capacidade e novas linhas", garante Otollia. Otimistas com o novo cenário, empresas da área de máquinas já se preparam para começar a explorar este novo filão. A Semco, por exemplo, já está trabalhando para colocar no mercado equipamentos que atendam a demanda. O fato é que o Brasil é carente em equipamentos nesta área obrigando as indústrias a importarem.Modernização e ampliação do parque - Segundo Otollia, os produtores de alimentos estão concentrando seus investimentos em três áreas básicas: construção de novas unidades fabris, ampliação da capacidade instalada e modernização de equipamentos. "A modernização do parque industrial será o principal alvo até 2004", afirma. A Coopercentral Aurora, localizada em Chapecó, Santa Catarina, está entre as empresas que investirão em novas fábricas e irá aumentar as exportações. Dos R$ 55,5 mi desembolsados neste ano, R$ 15 mi serão destinados à construção de uma unidade em Joaçaba para abate de suínos, devendo entrar em operação em fevereiro. Está prevista, ainda para este semestre, a construção de uma segunda unidade de embutidos cujos investimentos somam R$ 35 mi. A Aurora, uma das dez maiores agroindústrias do País, fechou o ano com receita bruta da ordem de R$ 766 mi, um acréscimo de 18,59% sobre 1999. A Coopercentral Aurora obteve 92,58% de sua receita no mercado interno (R$ 709,9 mi) e 7,42% no mercado externo (R$ 56,9 mi). Em 2001, explica o presidente Aury Luiz Bodanese, a intenção é exportar 25% a mais que em 2000 embarcando 40 mil toneladas de produto alcançando uma receita de US$ 40,5 milhões. A Perdigão, líder no setor de carnes industrializadas, vai tirar mais dinheiro do bolso neste ano e investir na ampliação da linha de produtos de maior valor agregado. "Dos R$ 100 mi investidos, R$ 22 mi serão absorvidos na linhas de pratos prontos e congelados, ou seja, produtos de maior valor agregado", afirma João Rozário da Silva, vice-presidente comercial. A empresa projeta um aumento de 10% nas vendas deste ano e receita líquida em torno de R$ 1,7 bi. Para o ano seguinte, a taxa de crescimento deverá se repetir. Segundo Otollia, a produção de alimentos mais sofisticados impõe a necessidade de modernização através de aquisição de novos equipamentos ou substituição de máquinas e processos ultrapassados. "São processos que exigem maior automação e rastreabilidade", informa. Hoje as empresas brasileiras investem cerca de US$ 20 bi em equipamentos indústrias/ano, sendo que o setor de alimentos responde por 30% desta cifra, ou seja, em torno de US$ 6 bi. É a área de maior peso para máquinas e equipamentos.

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