Setor automobilístico terá US$ 15 bi em três anos, diz Jorge

Segundo ministro do Desenvolvimento, investimentos vão ampliar capacidade de produção da indústria

Adriana Chiarini, da Agência Estado,

09 de outubro de 2007 | 11h52

A indústria automobilística tem investimentos planejados de US$ 15 bilhões para os próximos três anos, informou nesta terça-feira, 9, o ministro do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior, Miguel Jorge. De acordo com ele, a capacidade de produção desse setor no Brasil é de 3,5 milhões de veículos por ano, e com os investimentos ela deve ser ampliada para 5 milhões de unidades.   O ministro considerou conservadora a decisão da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de que este ano serão produzidos 2,9 milhões de automóveis e caminhões. "Certamente, passará de 3 milhões", disse Jorge sobre a produção em 2007. Ele informou que as empresas do setor estão contratando jornadas extras nos fins de semana e feriados para este ano e, em alguns casos, para o ano que vem.   Entre os investimentos planejados, segundo ele, há a ampliação de parques, novos produtos e também novas plantas industriais.   Inflação   O ministro também afirmou que acredita que os investimentos feitos na economia afastam o risco de o aumento da demanda gerar pressões inflacionárias. Para Jorge, "vai dar tempo" de os investimentos maturarem e expandirem a oferta no ritmo necessário para atender à demanda.   Jorge ressaltou o aumento da produção e de importação de bens de capital, máquinas e equipamentos, que devem gerar aumento da capacidade produtiva. Ele destacou a "alta qualidade" das importações, em que os bens de capital têm tido destaque.   De acordo com o ministro, "nada indica" que a expansão da demanda comprometa os preços no futuro. "O aquecimento da demanda, ao contrário do que tinha acontecido em períodos anteriores em que eles eram causados principalmente por fatores exógenos ou heterodoxos, é um crescimento sustentado", disse.   Jorge citou que o Brasil está tendo crescimento econômico há 14 trimestres. "O crescimento tem sido sustentado na produção da indústria e no consumo. Não se trata de feitiçaria que faz com que em um determinado momento aumente muito o consumo e em outro momento o consumo caia porque precisou aumentar juro ou precisou conter a demanda por razões ou de maneira a ter intervenção no processo", afirmou. "Esse crescimento tem sido sustentado e é possível prever que vai continuar assim", reiterou.   Adaptação   As empresas nacionais parecem estar mais adaptadas ao real forte. Segundo Jorge, "tem muito menos empresários reclamando do dólar que há quatro ou cinco meses. Acho que é um bom sintoma", disse o ministro. Ele lembrou que o dólar já esteve no nível de segunda-feira anteriormente, quando caiu para R$ 1,8092.   Ele acrescentou que o dólar desvalorizado é visto como "alegria de uns, tristeza de outros", ao comentar que "o câmbio facilita investimento" por baratear a importação de máquinas e equipamentos, mas tem uma influência negativa para os preços de exportação dos produtos brasileiros. De acordo com ele, os investimentos feitos pela importação de bens de capital "têm se acelerado em função do câmbio".   Jorge defendeu maior abertura comercial. Ele prevê que o saldo comercial este ano seja de US$ 40 bilhões, mas citou que "analistas estão falando em US$ 42 bilhões". "Acho que US$ 40 bilhões é um extraordinário saldo", disse. O ministro citou ainda que 90% das importações de automóveis estão sendo feitas pelas próprias empresas fabricantes do setor.   Montadora   O ministro disse ainda que uma fabricante de automóveis que tomou financiamento de US$ 300 milhões do BNDES recentemente para um investimento de US$ 600 milhões, fará anúncio de novos investimentos.   Em release do dia 12 de setembro, o BNDES informou ter aprovado financiamento para a Fiat de R$ 600,5 milhões para um investimento total de R$ 1,2 bilhão, aproximadamente os valores citados em dólar pelo ministro na entrevista. O texto informava que "os recursos são destinados a investimentos no desenvolvimento de novos produtos, entre modelos e versões, como o novo Fiat Palio e o Fiat Punto, lançados neste ano, e ao aprimoramento de processos industriais e tecnológicos".   Nem o ministro Miguel Jorge e nem o BNDES citaram nominalmente a montadora instalada em Minas Gerais. Jorge fez as declarações em entrevista na sede do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).   Matéria ampliada às 14h46

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