Setor automotivo bate recordes em julho

A produção de veículos no País ficou em 222,4 mil unidades em julho deste ano, uma queda de 1,1% em comparação a junho e alta de 5% ante julho do ano passado. O dado, divulgado nesta segunda-feira pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), apesar de representar uma queda, significa produção recorde para o mês. Mas não foi só esse setor que obteve desempenho histórico no período. A Anfavea informou também que foram licenciados 165,8 mil veículos, alta de 11,7% ante junho e de 19,5% ante julho de 2005 - marcando o melhor desempenho do ano.Segundo o presidente da associação, Rogelio Golfarb, o desempenho da indústria automotiva foi bastante forte em julho, compensando o desempenho de junho que frustrou o setor, por causa do período de copa do mundo. Na análise das regularizações de documentações, tomada a série iniciada em janeiro de 2004, o desempenho só fica atrás dos encontrados nos meses de dezembro de 2005 e de 2004, quando foram regulamentados, respectivamente, 183,6 mil e 178 mil unidades. No acumulado do ano, 1,03 milhão de veículos tiveram sua documentação regularizada, representando alta de 9,4% em relação ao mesmo período do ano passado. "O resultado dos licenciamentos também foi o melhor para o mês nos últimos dez anos e só não foi recorde porque tivemos meses melhores em 1997", disse Golfarb. A produção acumulada entre janeiro e julho deste ano, de 1,52 milhão de unidades, também é a maior já apurada pela Anfavea. Para este ano, a Anfavea manteve a projeção de crescimento do mercado de veículos no País em 7,1%, com expansão da produção em 4,5% e de expansão do faturamento das exportações em 2,7%. Desmembramento No desmembramento da lista de licenciamentos, verifica-se que 154,5 mil unidades foram produzidas no País e as 11,3 mil restantes são de veículos importados.O licenciamento de importados foi o maior do ano, superando a maior marca anterior, de maio, de 10,9 mil unidades. Também pertencia a maio deste ano a maior quantidade de licenciamentos em valores absolutos de 164,1 mil unidades.A "Carta da Anfavea" indica também que 76,3% dos veículos licenciados são bicombustíveis no acumulado de janeiro a julho de 2006, seguidos por 19% movidos a gasolina, 4,5% a diesel e 0,2% a álcool.Exportações: valores x volume A Anfavea registrou exportações de veículos e máquinas agrícolas de US$ 1,06 bilhão em julho, alta de 9,1% em relação a junho e de 11,6% sobre julho do ano passado. No acumulado do ano, as exportações do setor atingem US$ 6,65 bilhões, alta de 6,8% em comparação ao mesmo período de 2005. Embora apresente alta do faturamento com exportações, a indústria automotiva brasileira não observa o mesmo comportamento quando analisada a comercialização externa de veículos e máquinas agrícolas em volumes de unidades, conforme revelou a Anfavea. "As empresas estão ajustando seus preços no exterior, por causa do valorização do câmbio, e os compradores estão diminuindo os pedidos. Não veríamos a queda de volume, se os compradores estivessem dispostos a pagar mais pelo mesmo produto", observou Golfarb.Na relação de julho de 2006 sobre o mesmo mês do ano passado, enquanto as exportações somadas de veículos e máquinas agrícolas cresceram 11,6% em faturamento, saltando de US$ 947,71 milhões para US$ 1,05 bilhão, o volume de veículos (leves, caminhões e ônibus) exportados cedeu 5,1%, recuando de 80,28 mil unidades em julho de 2005 para 76,21 mil em julho deste ano.Já as vendas externas de máquinas agrícolas recuaram 35,3%, em unidades, na comparação de julho deste ano sobre o mesmo mês do ano passado. Se em julho de 2006 as exportações de maquinas agrícolas estiveram em 1,76 mil unidades, em julho de 2005, estavam em 2,72 mil unidades.Em relação a junho de 2006, as exportações por unidade de veículos subiram 6,9%, uma vez que, naquele mês, 71,27 mil unidades foram exportadas, enquanto que em julho, o volume atingiu 76,21 mil unidades. Em máquinas agrícolas, em julho ante junho de 2006, houve recuo de 15,7% no volume de unidades exportadas, recuando de 2,08 mil unidades, em junho, para 1,76 mil em julho.Por conta desta queda de ritmo de exportações em unidades, o presidente da Anfavea admite que a projeção de crescimento de 4,5% da produção de automóveis este ano poderá ser revista. "Entre janeiro e julho deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, a produção de veículos cresceu 4,4%, resultado abaixo da meta, por conta da queda de exportação em unidades. Poderemos rever a projeção de produção para o ano por causa dessa queda de exportações unitárias", explicou.Ele ponderou ainda que, diferentemente de outros setores exportadores, caso de minério de ferro, soja em grão, petróleo e álcool, o segmento de veículos e máquinas agrícolas não vive um período de ampliação de unidades exportadas acompanhando o faturamento, o que contribuiu, portanto, a preocupar ainda mais o setor. Este texto foi atualizado às 14h16.

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