Setor automotivo corta 13 mil vagas

Mesmo beneficiadas pela redução do IPI, montadoras e autopeças reduziram quadro de pessoal neste ano

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2009 | 00h00

Mesmo beneficiado pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), medida que manteve as vendas aquecidas, o setor automobilístico não contribuiu, neste ano, com a criação de empregos formais. Ao contrário, montadoras e fabricantes de autopeças cortaram 13,9 mil postos de trabalho entre janeiro e maio. O levantamento foi feito com base nos dados fornecidos pelas empresas. Só as montadoras eliminaram 6,4 mil vagas. As empresas aceitaram um acordo informal com o governo para manter empregos a partir de março, quando houve a prorrogação do benefício - lançado em dezembro e inicialmente previsto para três meses -, desde que pudessem abrir programas de demissão voluntária (PDV) e não renovar contratos temporários vencidos. O setor emprega hoje 120,4 mil funcionários.As fabricantes alegam que estão cortando vagas nos setores da produção voltados para a exportação e nas linhas de caminhões. Neste ano, as exportações totais caíram 47,4% na comparação com o mesmo período de 2008, para 162,4 mil unidades de carros completos e desmontados (chamados de CKD). Já as vendas internas de caminhões tiveram queda de 19,2%, para 37.580 unidades.A indústria de autopeças, que encerrou dezembro com 207,5 mil trabalhadores, mantinha, até abril, o quadro com cerca de 200 mil pessoas. Os dados de maio ainda não foram computados, mas as empresas admitem que os cortes continuam. Na semana passada, a Bosch, uma das principais empresas do setor, demitiu 900 trabalhadores da fábrica de Curitiba (PR) alegando queda nas exportações e no fornecimento de motores para veículos pesados.A Schaeffler, com fábricas em São Paulo e Sorocaba (SP), demitiu 150 este ano, de um quadro de 4,5 mil funcionários. "Os cortes foram feitos nas linhas mais voltadas para o segmento de pesados", informou Marcel Oliveira, diretor de Recursos Humanos, Comunicações e Relações Corporativas da empresa, fabricante de rolamentos.Peças para veículos de grande porte, como caminhões para as áreas de mineração e petroquímica, somada às exportações representam 25% do faturamento da Schaeffler.FIM DO IPISegundo informações de fontes ligadas à indústria automobilística, fabricantes de caminhões torcem pela não prorrogação do corte do IPI no segmento justamente por causa do compromisso de manutenção de vagas. Ao contrário do que ocorreu com automóveis, o segmento de camies não reagiu após o corte do imposto.Já os fabricantes de automóveis e comerciais leves, que praticamente estão repetindo os volumes de vendas dos primeiros cinco meses do ano passado, quando não havia crise, querem a manutenção do benefício.O mais provável é que o governo não retome as alíquotas normais do IPI de uma vez, mas de forma gradual, até o fim do ano, segundo proposta em estudo pelo Ministério da Fazenda.De janeiro a maio foram vendidos 1,149 milhão de veículos (dos quais 1,103 milhão de automóveis e comerciais leves), 0,1% menos que em igual período de 2008.Neste mês, o setor espera ficar próximo dos números de março, com mais de 270 mil veículos vendidos. Até sexta-feira, as vendas somavam cerca de 184 mil unidades. No fim de semana, quase todas as principais marcas realizaram feirões.NÚMEROS6,4 mil postos de trabalho foram cortados nas montadoras7,5 mil demissões ocorreram nas autopeças neste ano47,4% foi a queda das exportações de veículos

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