Setor automotivo não tem razão para demitir, diz Lupi

Ministro do Trabalho confirma acordo com revendedores de automóveis usados para aquecer o setor

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

30 de janeiro de 2009 | 13h12

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse nesta sexta-feira, 30, que não vê razões para demissões no setor automotivo e confirmou que o governo está fechando um acordo com revendedores de automóveis usados com o objetivo de aquecer o mercado e evitar demissões. "O setor automotivo não tem razão para demitir porque está vendendo e bem", disse Lupi. Ele avalia que a redução do IPI sobre as vendas de automóveis novos foi suficiente para manter o mercado, em janeiro deste ano, tão aquecido quanto no início do ano passado. Veja também:Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise   Segundo o ministro, na próxima semana, o governo deverá fechar um acordo que envolverá o Banco do Brasil, junto a revendedores de automóveis usados que, segundo ele, representam 42 mil empresas, geradoras de 600 mil empregos. Ele afirmou que essas medidas, que envolvem recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), deverão ajudar aquecer as vendas também no segmento de usados.  Lupi disse também que o governo vai respeitar os acordos que estão sendo negociados entre empresas e trabalhadores, desde que estejam dentro da lei. Indagado especificamente sobre os acordos que estão sendo negociados pela Vale, ele afirmou que "acredito que o governo só deve intervir no que é chamado, e não em acordos de trabalhadores e empregadores, mas chamo atenção para o momento que estamos vivendo, e para que as empresas não levem mais infelicidade para os lares brasileiros". Lupi ressaltou que "o ministério do Trabalho não vai homologar o que ferir a legislação". O ministro foi questionado também sobre a possibilidade de o BNDES financiar novos recursos para as montadoras. "Sou favorável à tudo que for vinculado à garantia de emprego do trabalhador, mas tem que ter compromisso das partes", afirmou. Ainda segundo o ministro, setores ligados ao mercado internacional "podem ter o agravamento de demissões, mas em outros setores, é puro aproveitamento da situação". O ministro admitiu que os dados de janeiro do Caged devem mostrar uma nova queda na geração de vagas em relação a igual mês do ano anterior "mas nada que acompanha o alarmismo de alguns". Seguro-emprego Lupi disse também que o Ministério está estudando a criação de um seguro-emprego. "É um seguro focado no emprego, não no desemprego, que pretende garantir a empregabilidade", afirmou.  O ministro não quis detalhar a iniciativa com o argumento de que a fase ainda é de estudos, mas adiantou que o seguro-desemprego permanece. Segundo ele, o seguro para o mercado de trabalho não pode enfocar apenas o desemprego no País.

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