Setor automotivo terá mais de 60 mil vagas em São Paulo

Cálculo da Fiesp para o período até 2012 representa uma alta de 23,5% no número de empregos; risco é o de escassez de mão de obra

Marcelo Rehder, de O Estado de S. Paulo,

31 de julho de 2010 | 16h45

O setor automotivo deverá ser responsável pela abertura de 59,7 mil postos de trabalho no Estado de São Paulo até 2012. O número representa um aumento de 23,5% no nível de emprego setorial. Se levada em consideração a mão de obra necessária para repor as vagas já existentes e que deverão ficar desocupadas no período por demissões e aposentadorias, o número de contratações deverá ficar ao redor de 102,8 mil.

As informações são de um estudo feito pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para identificar a demanda potencial por mão de obra especializada no Estado. O objetivo é criar condições para que as empresas possam se antecipar e evitar o risco de apagão de mão de obra treinada que ameaça o País.

Para calcular a quantidade de vagas a serem abertas nos próximos anos, a Fiesp tomou como base a previsão de crescimento do setor: 12,61% para 2010, 6,47% para o ano que vem e 8,76% para 2012. No primeiro semestre, as montadoras produziram 1,75 milhão de veículos no País, 19,1% a mais do que em igual período de 2009.

"É um crescimento significativo", observa o diretor do departamento de ação regional da Fiesp, José Roberto Ramos Novaes, que coordenou o trabalho. "Passada a crise, as empresas estão investindo em novas tecnologias e novas fábricas, e precisam de profissionais mais qualificados", constata.

Raridade. O problema é que esse tipo de mão de obra é um artigo cada dia mais raro no mercado. Quando precisam de trabalhadores qualificados, as empresas ou vão buscar na concorrência, à custa de benefícios e salários mais altos, ou investem na formação de profissionais dentro das próprias fábricas.

"É essa sincronização entre a oferta e a demanda que a gente pretende fazer com esse trabalho", diz Novaes.

Além das montadoras – de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus –, o setor automobilístico engloba a indústria de autopeças e os fabricantes de reboques e carrocerias. Hoje, existem 2.137 empresas dessa natureza no Estado, o equivalente a 41,15% do total nacional (5.193 estabelecimentos).

Só no primeiro semestre, essas empresas abriram 13,5 mil postos de trabalho no Estado, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No mês passado, elas empregavam 267,6 mil pessoas, ante 254,1 mil em dezembro de 2009. Do total de empregos mantidos pelo setor no País, 55,9% estão concentrados no Estado de São Paulo.

A maioria das vagas que serão abertas nos próximos anos é para cargos técnicos, que exigem ensino fundamental ou ensino médio completo, dependendo do caso, além de cursos de especialização. Só uma única ocupação tem como pré-requisito ensino superior, a de engenheiro mecânico.

A preocupação com a formação profissional é tamanha que a montadora sul-coreana Hyundai desenvolveu projeto em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para qualificar mão de obra, antes mesmo do início das obras da sua fábrica em Piracicaba (SP), que só deverá ficar pronta no primeiro semestre de 2012.

Com investimento de US$ 600 milhões e capacidade produtiva inicial programada para 150 mil carros por ano, a unidade vai criar 1,6 mil empregos diretos.

"A ideia é iniciar processo de recrutamento de pessoal no fim do ano, por meio de cadastramento online no site da Prefeitura de Piracicaba", diz o responsável pela área de relações institucionais da fábrica, Valdemar de Oliveira Júnior. A pré-seleção dos candidatos deverá ser feita já no primeiro trimestre de 2011.

Sobram vagas. A escassez de mão de obra especializada faz com que sobrem vagas nas indústrias. Com fábricas no município gaúcho de Caxias do Sul e em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, a Randon, líder de vendas no segmento de reboques e semirreboques, está há alguns meses com 250 vagas abertas por absoluta falta de candidatos qualificados. A maior dificuldade da empresa hoje é em encontrar soldadores, montadores e engenheiros.

"Está difícil de encontrar profissionais prontos no mercado", diz a gerente da área administrativa e corporativa da Randon do Brasil, Maria Cristina Casagrande. "Temos contratado jovens de 18 a 23 anos sem a qualificação que queremos e estamos dando cursos internos de formação para esse pessoal."

Desde o início do ano, foram feitas 130 contratações para a fábrica de Guarulhos, que hoje emprega 780 pessoas. O grupo todo tem 11 mil funcionários, dos quais 1,5 mil foram admitidos este ano.  

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.