Setor bancário espanhol precisa de 59,3 bi

Os bancos espanhóis precisariam de 59,3 bilhões (US$ 76,3 bilhões) em capital extra para lidar com um cenário de sério estresse econômico, concluiu ontem uma auditoria independente sobre 14 bancos feita pela consultoria Oliver Wyman.

MADRI, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2012 | 03h07

A Espanha disse que cerca de 40 bilhões desse total serão fornecidos por auxílio europeu, enquanto o resto pode ser captado pelos bancos. A auditoria é uma condição para que a Espanha receba fundos europeus para auxiliar seus bancos, que foram fragilizados por uma prolongada crise do mercado imobiliário.

O país firmou acordo para estabelecer uma linha de crédito que poderia fornecer até 100 bilhões de fundos de resgate da União Europeia para seus bancos. "A estimativa preliminar do montante final que precisaríamos receber da linha de crédito de 100 bilhões seria um terço menor do que as necessidades de capital identificadas pela Oliver Wyman", disse o vice-presidente do banco central espanhol, Fernando Restoy, em coletiva de imprensa.

Tanto o austero orçamento para 2013 apresentado pelo governo do primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy na quinta-feira quanto a auditoria de 90% do sistema bancário espanhol são etapas necessárias para que Madri solicite auxílio soberano e ative um programa de compra de bônus do Banco Central Europeu (BCE).

O "cenário econômico adverso" em que se baseou a auditoria está rapidamente se tornando realidade na Espanha, à medida que cortes de gastos e elevações tributárias estrangulam qualquer recuperação na quarta maior economia da zona do euro, aumentando o desemprego e gerando crescente desordem.

A Espanha assumiu o lugar da Grécia, da Irlanda e de Portugal como a principal ameaça ao projeto de moeda única da zona do euro. Os resultados da auditoria convergiram com as expectativas do governo e do mercado, e foram bem recebidos pela Comissão Europeia, pelo BCE e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

"É mais uma camada de incerteza de que nos livramos", disse o estrategista do Commerzbank, David Schnautz. "Temos o orçamento de ontem e hoje, os testes de estresse. Agora, estamos todos ansiosos para saber qual será a opinião das agências de ratings."

A agência de classificação de crédito Moody's deve revisar o rating da Espanha antes de segunda-feira. Atualmente, o país é classificado uma nota acima do grau especulativo, com perspectiva negativa. / REUTERS

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