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Setor calçadista pode intensificar demissões em julho

A cadeia produtiva do setor calçadista no País, que emprega cerca de 1 milhão de trabalhadores, pode começar um movimento mais forte de demissões em um ou, no máximo, dois meses. De acordo com o empresário Heitor Klein, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), essa é a expectativa do setor, caso não haja alteração na política econômica.Apesar da forte queda na demanda doméstica, os empresários têm conseguido evitar grandes cortes de pessoal, muito por conta das exportações -- as vendas externas absorvem entre 25% e 30% da produção.A partir de agora, entretanto, os calçadistas passam a formar os preços para as exportações com uma taxa de câmbio amplamente desfavorável ao setor, em torno de R$ 3,00. "Para nosso setor, especificamente, o ideal é um dólar cotado entre R$ 3,30 e R$ 3,40. Com o câmbio nesse patamar, fechar um preço competitivo fica muito difícil", reclama Klein.Recuo das exportaçõesJá em abril, as exportações tiverem um recuo de 12%. A valorização do real teve impacto, mas não foi a única razão para a queda. "Tivemos retração na demanda externa também por causa das incertezas em relação ao cenário político e econômico internacional, com a guerra do Iraque e uma certa estagnação nos países importadores", explicou o executivo. Os contratos de exportação são fechados até três meses antes dos embarques.Klein afirma que os juros altos têm impactos diferenciados conforme o setor da economia. Por isso mesmo, defende que o Ministério da Fazenda utilize esse "remédio" (usando palavras do ministro Antônio Palocci) com muito critério. Pela ótica do governo, os juros altos são o ´remédio´ correto. "Mas, considerando-se o impacto social, o remédio já é excessivo", afirmou.PerspectivasA perspectiva do setor calçadista para o segundo semestre é que o Banco Central arroche os juros e permita que o dólar se torne mais competitivo. Fora desse espectro, a única alternativa para amenizar o mergulho do setor produtivo em um quadro totalmente recessivo é a aprovação de uma reforma tributária eficaz, com um sistema de impostos eficiente, que ajude a elevar as exportações, onerando o consumo e não a produção, na opinião de Heitor Klein.

Agencia Estado,

29 de maio de 2003 | 15h33

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