JERÔNIMO GONZALEZ/AGÊNCIA RBS/PAGOS
JERÔNIMO GONZALEZ/AGÊNCIA RBS/PAGOS

ESG

Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

Imagem Coluna do Broadcast Agro
Colunista
Coluna do Broadcast Agro
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Setor cobra mais atenção à China na relação comercial

Entidades do agronegócio estão preocupadas quanto ao modo como o governo federal se relaciona com a China e a Coreia do Sul

Coluna do Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2019 | 05h00

As principais entidades do agronegócio vão levar à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) a preocupação quanto ao modo como o governo federal se relacionará com a China e a Coreia do Sul. Em reuniões com integrantes do Executivo, representantes do Instituto Pensar Agro (IPA) e da Aliança AgroBrazil ouviram que a China é um parceiro fundamental e, por isso, não haveria chance de as relações serem interrompidas. Mas nada foi dito sobre eventuais planos de estimular o aumento dos negócios com os chineses. Ao contrário, eles foram aconselhados a buscar outros mercados compradores, sob o argumento de que há representações brasileiras em 119 países. O temor cresceu quando souberam que a China não é destino das primeiras missões que o Ministério da Agricultura terá na Ásia. A agenda dará prioridade ao Japão, para reunião de ministros do setor no G-20, além de uma missão ao Sudeste Asiático. Um alento, lembra uma fonte, é a confirmação da visita do presidente Jair Bolsonaro à China, provavelmente no segundo semestre.

Não soou bem. Para reforçar o temor, a reunião de negociação entre a Coreia do Sul e o Mercosul para um possível acordo de livre comércio, prevista para o fim de março, está ameaçada. Os coreanos enviaram uma equipe robusta na rodada anterior e ficaram magoados com a falta de reciprocidade do lado sul-americano. Enquanto isso, nas próximas semanas está prevista a retomada das conversas entre o bloco econômico com União Europeia e Canadá. 


Ainda a China. Com demanda puxada pelos chineses, o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) espera exportar 17% mais couros em 2019 e atingir receita de US$ 2 bilhões. No último ano, o estreitamento das relações brasileiras com a China abriu espaço para a exportação dos subprodutos da pecuária. “O país já representa 30% das nossas vendas de couro”, conta José Fernando Bello, presidente do CICB. Cerca de 82% da produção nacional é destinada ao mercado externo, numa média de 31 milhões de peças por ano.


No pé do cliente. Nesta semana, 38 curtumes do País desembarcam em Hong Kong para a feira APLF Leather and Materials+, entre 13 e 15 de março. O presidente do CICB espera que US$ 300 milhões em negócios sejam realizados no ano a partir de contatos iniciados no evento. 

Fronteira. A paulista Agrivalle prevê dobrar em três anos a participação no mercado brasileiro de defensivos biológicos. A meta é chegar à segunda posição do ranking – hoje está entre as cinco nacionais, segundo Wagner Coladel, diretor de Marketing. Em dezembro, a empresa obteve o registro de um fungicida que combina duas bactérias e um fungo para o combate à rizoctoniose e ao mofo branco, doenças que atacam plantações de soja, feijão, batata e café.

A galope. Enquanto o setor de defensivos cresce de 15% a 20% por ano, a receita da Agrivalle aumentou 25% em 2018. Em 2019, Wagner Coladel espera avanço de mais 30%. Ajudam a sustentar o desempenho os investimentos em pesquisa – 12,5% da receita anual – e na ampliação da capacidade produtiva, que crescerá 30% este ano. “Antigamente, defensivos biológicos eram vistos como complemento. Com o avanço da tecnologia, alguns produtos são tão bons ou melhores que os químicos e com custos semelhantes”, diz o executivo sobre a percepção dos agricultores.

Apetite. Grandes fundos de investimento continuam negociando a compra total ou parcial de distribuidoras de insumos agrícolas e empresas de fertilizantes especiais (que usam matérias-primas além dos tradicionais nitrogênio, fósforo e potássio). Fonte do setor conta estar assessorando quatro operações e que, no País, ao menos dez negociações estão em andamento. “Este ano promete ser agitado em aquisições. Não ficaria surpreso se cinco ou seis grandes fossem anunciadas”, diz.

Iluminada. A Coopercitrus, uma das principais cooperativas do País, inaugura em abril o maior parque fotovoltaico agrícola do Estado de São Paulo (foto abaixo). Localizado em Bebedouro (SP), o projeto de 3.600 placas ocupa uma área de 10 mil metros quadrados – equivalente a um campo de futebol – e recebeu investimentos de R$ 5 milhões. Segundo a cooperativa, a unidade produzirá 1.987 MW/h por ano, oferta de energia capaz de atender a 27 unidades consumidoras da Coopercitrus em São Paulo. 

Na ponta do lápis. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil leva ao Paraná nesta semana a 1.ª edição do Agri Road Show. Em encontros com produtores, cooperativas e indústrias serão discutidas ferramentas de gestão dos riscos e custos, como hedge (fixação antecipada de preços) e novas formas de financiamento. Serão dois encontros, em Londrina, na terça-feira (12), e em Cascavel, na quinta (14). Participam também a XP Investimentos, a B3, a Bolsa de Chicago, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e a Granoeste Investimentos. 

Auto fiscalização. Entre 13 e 15 de março, a Comissão de Defesa Agropecuária do Instituto Pensar Agro (IPA) se reunirá para debater a elaboração do texto sobre o autocontrole dos frigoríficos. A ideia é que a iniciativa privada e associações do setor participem da criação da proposta que será levada pelo Ministério da Agricultura ao Congresso Nacional. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.