Setor da construção exige que bancos usem poupança na habitação

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, cobrou hoje uma ação mais dura do governo para que os bancos privados apliquem no setor imobiliário os recursos captados com a poupança. Em entrevista ao Estado, ele disse que os bancos não estão cumprindo o direcionamento obrigatório da poupança fixado pelo Banco Central. ?O governo precisa encontrar uma solução para desobstruir os entraves que inibem os bancos a emprestarem para o setor imobiliário?, disse. Os bancos são obrigados a destinar 65% da poupança em financiamento imobiliário.Segundo ele, a indústria da construção amarga uma recessão há três anos. ?Chegou a hora da construção. Por mais que a área econômica estivesse preocupada e jogando numa defensiva muito grande, chegamos num ponto em que o País não pode mais ficar acumulando desemprego, prejuízo e retração?, criticou. A convite do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, a CBIC vem discutindo medidas de estímulo ao setor, que o governo pretende anunciar o mais rápido possível dentro da chamada ?agenda positiva? para abafar o caso de corrupção envolvendo Waldomiro Diniz, o ex-assessor do ministro da Casa Civil, José Dirceu.Uma das primeiras medidas a serem anunciadas pela equipe econômica é uma proposta para o funcionamento do regime de Patrimônio de Afetação nas incorporações imobiliárias. O Patrimônio de Afetação é um instrumento que permite que cada empreendimento tenha uma contabilidade própria, diminuindo o risco de ocorrência de novos casos como o da Encol, que deixou 42 mil mutuários no prejuízo. Para Safady, o Patrimônio de Afetação vai dar tranqüilidade para as pessoas comprarem o imóvel na planta. ?Ele isola esse empreendimento da contabilidade principal, de tal forma que, qualquer coisa que acontecer com a empresa, esse patrimônio não será afetado?.Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, a insegurança jurídica é um hoje um dos maiores entraves para o crescimento do mercado imobiliário no Brasil. ?Os agentes financeiros têm alegado que não estão investindo de acordo com o que determina a legislação por causa da insegurança jurídica. É preciso haver uma mudança nisso?, afirmou. Safady cobrou também ?decisão? política do governo para investir no setor. Ele defendeu também o uso do FGTS em programas de incentivo à produção de empreendimentos imobiliários para atendimento de famílias com renda de até 12 salários mínimos.

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