Setor de agronegócios vai pressionar países ricos na OMC

As empresas do setor de agronegócios no Brasil decidiram abrir uma frente de discussões com os países ricos, que estão participando das negociações para implementação do Acordo de Serviços da Organização Mundial do Comércio (OMC) afim de faciltar a distribuição de produtos brasileiros noexterior. Enquanto as grandes cadeias internacionais dedistribuição operam livremente no País, as empresas brasileirasconseguem levar seus produtos apenas até o porto de embarque do país de destino. A partir daí, as dificuldades são tantas que,para o produto chegar ao consumidor estrangeiro, os exportadoresprecisam contratar ou se associar a uma empresa local.O Fórum Permanente de Negociações Agrícolas Internacionais, que reúne a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG), e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) reuniu-se hoje (19) para derrubar essas barreiras, e criar canais de distribuição no atacado e no varejo. O presidente do Fórum, Gilvan Viana Rodrigues, disse que até o fim deste mês o setor privado do agronegócio terá que encaminhar à CNA as suas demandas relativas à distribuição.Essas informações servirão de subsídios para um documento que o Itamaraty irá preparar e enviar à OMC, até março de 2003, com os pleitos do Brasil na área de distribuição. "Estamos acostumados a vender FOB (colocado no porto), e não estamos atentos aos ganhos que podem ser obtidos depois do embarque da mercadoria", afrmou Gilvan Rodrigues.Ele disse que o País é muito permissivo com relação à distribuição. "Permitiu que todas as grandes cadeias, comoCarrefour, Makro, e Wall Mart, operem no Brasil e não barganhou nada em troca. Agora, precisamos recuperar este prejuízo". Rodrigues observou que os ganhos nessa área são tantos, que o faturamento da Wall Mart é de US$ 167 bilhões ao ano, ou oito vezes maior que o da Petrobras, que é de US$ 21 bilhões.Segundo ele, o Brasil ainda pode se valer do interesse que os países ricos tem nos setores de telecomunicações, sistemafinanceiro e compras governamentais, para obter vantagens nasfuturas negociações na OMC.Levantamento preliminar encomendado pelas entidades que integram o Fórum mostra, por exemplo, as restrições impostas naárea de distribuição pelos países europeus, China, Japão, Estados Unidos e do próprio Mercosul aos demais países.Na maior parte desses países, as empresas são impedidas de se estabelecer no mercado doméstico de terceiros países. As barreiras (além de cotas e tarifas) vão desde o tratamentodiferenciado na concessão de benefícios fiscais e financiamentos como acontece nos Estados Unidos à exigência de formação dejoint-ventures como ocorre na China. Nos países europeus osserviços considerados de utilidade pública podem estar sujeitosà monopólio público ou a direito de uso exclusivo de operadoresprivados."A falta de canais de comércio atacadista e varejista adequados ao Brasil é uma barreira às exportações de nossos produtos agropecuários", observou. Na avaliação do presidente do Fórum, a redução de tarifas e a conquista de novos mercados podem se tornar irrelevantes, no futuro, se não houver abertura nos canais de distribuição.

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