Setor de alimentos deve recuperar perdas

Depois de um primeiro semestre ruim, as empresas do setor de alimentos devem começar a se recuperar nos últimos meses do ano. A chefe da área de análise do BankBoston Asset Management, Isabel Pedrosa, explica que o aumento do milho e da soja nos últimos 12 meses foi expressivo e interferiu nos custos de produção. O preço do milho, por exemplo, subiu 40% e o da soja, 25% no pico dos aumentos. Além disso, os preços do mercado externo caíram cerca de 15% no primeiro semestre deste ano em comparação com 1999. "Isso é natural, porque em 99 tivemos a desvalorização do real, barateando as exportações. Naquela época, o resultado das empresas foi muito bom", diz Isabel. A analista lembra que as próprias empresas absorveram o aumento das commodities, que não foram repassados para os preços de venda. Daí o resultado negativo. Segundo Pedrosa, a recuperação nos preços começou há três meses. O preço do quilo do frango resfriado passou de R$1,00 para R$ 1,50 neste período. "Com isso, as empresas já conseguem esboçar uma reação", afirma.Recuperação gradualO analista de consumo do Banco Pactual, Gustavo Hungria, segue a mesma linha de análise. Ele diz que, depois da pressão altista das commodities no início de ano, reduzindo as margens das empresas, e da superprodução de frangos que derrubou os preços, o cenário é melhor para os próximos meses. Mas só em 2001 a recuperação deve ser mais consistente."A questão do frango já está encaminhada com a recuperação dos preços, mas o milho deve continuar em alta e no último trimestre do ano pode haver uma melhora", explica. Segundo Hungria, em 2001 deve haver um aumento da área plantada do milho. "O preço alto vai estimular os produtores, a maior oferta deve derrubar os preços", avalia. Isso vai melhorar o resultado das empresas, com a diminuição dos custos.Perspectivas melhoresO analista do Pactual acredita que, até o final do ano, a situação das empresas do setor de alimentos deve melhorar bem em relação ao primeiro semestre. Segundo ele, historicamente as vendas melhoram, impulsionadas pelas festas de final de ano, amenizando os resultados negativos.Para Isabel Pedrosa, do Boston, as margens da Sadia foram piores que as da Perdigão. Ela avalia que a Perdigão tem um melhor controle de custos e é melhor gerenciada. "Além de tudo isso que já falamos, a Sadia teve problemas internos e perdeu vendas", justifica. Mas no curto prazo, a Sadia tende a se recuperar. Mas a expectativa para ambas é de um desempenho mais favorável no próximos trimestre.Números ruinsNo primeiro semestre deste ano, a Sadia registrou um lucro de R$ 3,1 milhões, ante um lucro de R$ 8,8 milhões nos primeiros 6 meses do ano passado. O lucro operacional que chegou a R$ 117 milhões em 99 se transformou em prejuízo de R$ 10,4 milhões neste ano.As ações das empresas caíram mais de 30% no primeiro semestre. Veja a seguir, quais as perspectivas para os próximos meses.

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