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Setor de automóveis está contendo expansão do mercado de crédito, afirma Banco Central

'Há crescimento do estoque de crédito para todas as modalidades, exceto veículos', disse o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel

Laís Alegretti, Victor M. Alves, Agência Estado

29 de julho de 2014 | 11h50

BRASÍLIA - O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, afirmou que o comportamento do crédito para aquisição de veículos está contendo, de forma geral, a expansão do crédito para pessoa física como um todo. "Há crescimento do estoque de crédito para todas as modalidades, exceto veículos", disse, acrescentando que a carteira de veículos é representativa. Segundo Maciel, houve, no caso dos veículos, antecipação de demanda, o que influenciou a evolução do crédito. 

"No caso do crédito a veículos, o crédito cresceu com maior intensidade em períodos anteriores respondendo a incentivos concedidos ao setor", avaliou. 

Maciel afirmou que o crédito em junho seguiu a tendência de crescimento na comparação mensal, mas em horizonte mais longo (interanual) a tendência é de moderação. O estoque de operações de crédito do sistema financeiro subiu 0,9% em junho ante maio e chegou a R$ 2,830 trilhões. No acumulado em 12 meses, houve elevação de 11,8%.

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Há crescimento do estoque de crédito para todas as modalidades, exceto veículos - Túlio Maciel
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"A tendência de moderação se vê também nos segmentos de crédito, livre e direcionado", disse Maciel. Ele acrescentou que essa moderação do crescimento de crédito é mais nítida no caso do crédito direcionado. "A moderação do crédito direcionado se deve tanto à moderação do crédito habitacional quanto de investimento, em especial o crédito do BNDES, que tem mostrado arrefecimento mais claro", disse.

Maciel afirmou que, no longo prazo, a moderação do crédito tem caráter benigno, que é sustentabilidade. 

Segundo os dados divulgados na manhã de hoje pelo BC, a taxa de juros para pessoa física no crédito livre, de 43% ao ano, é a maior desde março de 2011.

Inadimplência baixa. Maciel afirmou que a expansão moderada do crédito ocorre em momento de inadimplência historicamente baixa. "A inadimplência está em quadro melhor e os atrasos de 15 a 90 dias também estão comportados", disse. 

Em relação às taxas de juros, Maciel avaliou que ocorre acomodação. "Temos acomodação das taxas em patamar mais alto depois de um ciclo de política monetária que conferiu tendência de elevação desde maio do ano passado às taxas de juros. Agora as taxas estão se acomodando em patamar mais alto", disse.

Questionado sobre spread, Maciel afirmou que as modalidades que têm taxas de juros mais elevadas são mais sensíveis ao movimento da Selic. "O cheque especial, por exemplo, no ciclo de alta de taxa de juros teve elevação em proporção mais acentuada. Por outro lado, quando o ciclo é de baixa, a taxa também tem essa redução. Isso acaba conferindo maior movimento aos spreads como um todo", disse. 

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