Setor de autos teme 1ª queda de vendas após 9 anos

Após nove anos seguidos de crescimento nas vendas, fabricantes de veículos já temem o primeiro recuo nos negócios com base no fraco desempenho registrado em agosto. Até a última quinta-feira (29), faltando portanto um dia útil a ser contabilizado no mês, as vendas acumuladas desde janeiro apresentavam crescimento de apenas 0,75% em relação ao mesmo período de 2012, com 2,449 milhões de unidades.

CLEIDE SILVA, Agencia Estado

31 de agosto de 2013 | 09h57

Desde abril e maio, quando o crescimento acumulado estava próximo a 9%, os porcentuais estão caindo, passando a 4,8% em junho, 2,6% em julho e com chances de ficar entre 1% e 2% negativos neste mês, mesmo com o acréscimo dos licenciamentos desta sexta-feira (30). "Esse cenário de não crescimento das vendas e de escalada de preços é bastante preocupante", diz o executivo de uma das grandes montadoras.

Ele cita a alta cambial - que encarece os preços de matérias-primas e componentes importados -, a obrigatoriedade de instalação de airbag e freios ABS em todos os carros a partir de janeiro, o fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) também em janeiro e pedidos de reajuste de preços por parte de fornecedores, como os de aço, que começam a pleitear alta de cerca de 8%. "É um cenário que não aparecia no planejamento no início do ano", diz o executivo, ao justificar as previsões otimistas do setor, que apostava em novo recorde de vendas neste ano, com números próximos a 3,9 milhões de veículos.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) previa, desde o início do ano, um aumento de 3,5% a 4,5% nas vendas em relação às 3,8 milhões de unidades registradas em 2012. Na próxima semana, quando divulgar o balanço oficial do mês, a entidade vai rever a aposta para baixo.

A indústria esperava vender neste mês 335 mil veículos, mas, até quinta-feira, os licenciamentos somavam 307,9 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, uma alta de 1,26% em relação a igual período de julho, mas 12% inferior aos números do mesmo intervalo de agosto de 2012. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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