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Setor de bens de capital preocupa o banco

Liberações do BNDES para o segmento mostram queda de 3,4% neste ano

Irany Tereza e Daniele Carvalho, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

O setor de produção de bens de capital é uma das principais preocupações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no esforço para reativar o crescimento econômico. No primeiro quadrimestre do ano, as linhas do Finame, que financia investimentos desse segmento, caíram 3,4%. As liberações somaram R$ 6,684 bilhões. Para técnicos do banco, essa queda ainda não traduz a dimensão do problema, já que no mesmo período de 2008 não foram autorizadas todas as liberações por falta de recursos. Se o BNDES tivesse dinheiro em caixa no ano passado, o desembolso teria sido bem superior aos R$ 6,919 bilhões registrados e a queda verificada este ano, maior. "Agora, a restrição não é recursos, mas de demanda", diz uma fonte do banco. A queda nos juros de algumas linhas, anunciadas esta semana, deve beneficiar o setor, mas novas medidas para acelerar a retomada da produção estão sendo elaboradas pelo Ministério do Desenvolvimento. A maior parte deve ser voltada à área fiscal. No banco, há o entendimento de que, para não ser um problema este ano, a indústria tem de dar uma disparada pelo menos dois meses seguidos. Um dos grandes focos desse crescimento é a indústria de bens de capital. Mas, como mostram dados do IBGE, enquanto outros segmentos industriais vêm registrando uma tímida reação à crise, a produção de máquinas e equipamentos, que aponta investimentos na indústria, ainda amarga forte queda. Em março, recuou 23% em relação a março de 2008. Ontem, o BNDES divulgou o desempenho nos primeiros quatro meses: os desembolsos cresceram 2% sobre igual período do ano passado, para R$ 26,6 bilhões. O destaque foi a elevação de 34% nas consultas, a primeira etapa percorrida pelas empresas que buscam financiamento, para R$ 77,1 bilhões. "O ritmo das consultas nos surpreendeu. Somente no mês de abril, em relação a igual período de 2008, houve crescimento de 48%. Esse indicador é muito importante para o BNDES porque sinaliza a intenção de investimento das empresas para os próximos meses", afirma Gabriel Visconti, chefe do Departamento de Orçamento do BNDES. Ele acrescenta que o aumento ocorreu de forma pulverizada entre os setores, mas com destaque para o segmento de material de transporte, que nos primeiros quatro meses teve expansão de 132%. "Também temos uma avaliação positiva do leve crescimento nos desembolsos. Registrar expansão de 2% em relação a um período forte como 2008 e durante um período de crise como 2009 é um alento", disse. Os enquadramentos, segunda etapa, chegaram a R$ 67,5 bilhões, com alta de 41%. As aprovações caíram 20%, situando-se R$ 28 bilhões.

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