Setor de bens de capital terá ajuda financeira e fiscal

Segundo presidente do BNDES, medidas de incentivo estão sendo finalizadas pelo governo nesta semana

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

22 de junho de 2009 | 14h54

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que até o final dessa semana deverá estar concluído o formato das medidas que o governo vai anunciar em breve para conceder benefícios fiscais ao setor de bens de capital. As ações, segundo ele, incluem medidas de natureza financeira (relativas ao crédito) e fiscal (como desoneração de impostos). "Esperamos concluir o trabalho nessa semana. Existem impactos fiscais que precisam ser calculados. A situação fiscal não é tão fácil, existe uma grande pressão sobre as contas fiscais e é preciso desenhar coisas consistentes".

 

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Na avaliação de Coutinho, os estudos permitirão que o Ministério da Fazenda possa analisar a questão e adotar ações que permitam um bom equilíbrio das contas públicas. "Entendo que o Ministério da Fazenda precisa ponderar todos os lados e o impacto nas contas públicas. Não pode simplesmente adotar tudo aquilo que a gente gostaria, mas sim fazer uma avaliação completa", comentou. "Entre as medidas de natureza financeira e fiscal, nós vamos chegar a uma boa solução".

 

Embora não tenha detalhado o teor das medidas que vão ser anunciadas pelo governo em alguns dias, o presidente do BNDES destacou que a redução de impostos para o segmento de bens de capital visa beneficiar principalmente os setores mais afetados pelos impactos da queda muito forte da demanda agregada causada pelos efeitos da crise financeira internacional.

 

"Muitas áreas do setor de máquinas dependem do investimento privado", comentou, ao ressaltar que companhias que trabalham diretamente com outras contratadas pelo governo estão em uma situação melhor, como aquelas que trabalham diretamente com a Petrobrás.

 

Coutinho destacou que o desenho das medidas deverá contemplar as empresas que estão passando de fato por um período de dificuldades e elas terão caráter transitório até que o mercado interno volte a se aquecer, o que poderá ocorrer no encerramento de 2009. "Nossa expectativa é que no fim do ano o nível de utilização (das indústrias) volte a subir para um patamar mais estimulante de decisões e investimento."

 

Questionado pela Agência Estado se as decisões que o Poder Executivo tomará para incentivar o setor de bens de capital durarão até dezembro, o presidente do BNDES afirmou que o tempo de duração ainda é uma das questões que está sendo discutida. "Mas talvez cinco meses (de duração) sejam muito pouco", ponderou.

 

O presidente do BNDES fez os comentários após participar do seminário Bancos Públicos: Financiamento ao Desenvolvimento e Regulação Bancária, que está sendo realizado em São Paulo pelo jornal Valor Econômico.

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