Setor de celulose não cria valor para acionista

As principais companhias abertas de papel e celulose do Brasil ainda não conseguem criar valor para seus acionistas. A remuneração do capital investido no negócio, no entanto, vem melhorando ao longo dos anos. A conclusão é de um relatório elaborado pelo Unibanco, em conjunto com a companhia que desenvolveu o conceito do lucro econômico (EVA, em inglês), a Stern Stewart. A análise cobre o período entre 1996 e 2000 e engloba Aracruz, Bahia Sul, Klabin, Ripasa, Suzano e Votorantim Celulose e Papel (VCP). A ferramenta que determina a criação de valor considera o custo do capital investido pelos acionistas para calcular o lucro de uma companhia. Na contabilidade tradicional, chega-se ao resultado basicamente subtraindo as despesas da receita e levando-se em conta apenas os financiamentos de terceiros. Segundo a análise dos especialistas Simone Rosito e Felipe Franco, "no período analisado, o EVA foi bastante negativo". As companhias, no entanto, vêm reduzindo o prejuízo econômico, que caiu de R$ 1,598 bilhão em 1996 para R$ 645 milhões em 2000. O cenário desfavorável "é reflexo dos baixos preços da celulose, que apenas em 2000 ultrapassaram sua média histórica, e do elevado custo de capital das empresas", diz o estudo. Mercado externoOutro fator que também tem influência significativa na criação de valor do setor e papel e celulose nacional é o câmbio. A desvalorização do real favorece as receitas das companhias, já que boa parte de suas vendas se destina ao exterior. Os analistas afirmam que 1998 foi o único ano em que houve um aumento da destruição de valor. No período, além dos preços de celulose terem atingido seu piso, a relação cambial esteve desfavorável. Por outro lado, a diminuição da destruição de valor foi verificada sobretudo em 1999, com a desvalorização cambial, e 2000, pelo aumento de preço da celulose. A queda do real em relação ao dólar "elevou tremendamente a competitividade e rentabilidade das empresas brasileiras", diz ainda o relatório. Além disso, gerou perdas moderadas sobre o elevado endividamento da área em moeda estrangeira, uma vez que boa parte das empresas mantinha mecanismos de proteção (hedge). A análise de EVA do setor confirma, segundo as instituições, que a grande "pechincha" da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) é a Ripasa. A recomendação do Unibanco é de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 2,17, o que oferece um potencial de valorização em bolsa de 40% em relação ao fechamento da última sexta-feira. De acordo com os analistas, a performance razoável da companhia ainda não é reconhecida pelo mercado. O relatório afirma ainda que, pela análise de criação de valor, Aracruz, VCP e Suzano são as "estrelas do setor, com excelente desempenho já reconhecido pelo mercado". Klabin e Bahia Sul seriam as empresas "caras" da área. "Com performance pior que as de mais empresas, elas possuem uma valorização superior à média."

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