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Setor de energia espera "continuísmo" no próximo governo, dizem especialistas

Especialistas do setor de energia esperam certo "continuísmo" nesta área, seja qual for o governo eleito no próximo dia 29 de outubro. Para o professor do Instituto de Economia da UFRJ, Edmar de Almeida, especializado na área de energia, com exceção do novo modelo elétrico, todo o governo Lula foi marcado por programas que deram continuidade a outros que já existiam na era FHC. "Em alguns casos, houve até uma nova roupagem, como o Luz no Campo, que passou a se chamar Luz Para Todos. Mas na essência, pouco mudou e nem deve mudar numa segunda gestão de Lula", avaliou.No caso de vitória de Geraldo Alckmin, do PSDB, o professor acredita que "não existem sinais dados pelo candidato de que haveriam mudanças radicais, apesar de ele estar falando muito em choque de gestão". "A tecla em que eles (assessores de Alckmin) vêm batendo muito é em um maior apoio às agências reguladoras, que ficaram enfraquecidas no atual governo, e ainda uma busca mais intensa pela entrada do capital privado no setor por meio de investimentos e não de privatizações".GásPara o diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires, além deste aumento dos investimentos privados no setor - principal ponto defendido pelos tucanos para a área de energia, em sua opinião - haveria também uma postura mais forte com relação à Bolívia. "Acho que num governo Alckmin acabaria esta visão de que é um país pobre (a Bolívia), de companheiros, e que precisamos ajudar", comentou. Ainda sobre este tema, Pires também acredita que um novo governo do PSDB daria mais autonomia para a Petrobras discutir a questão do gás com o país vizinho.Além disso, o diretor avalia que num governo do PSDB, a Petrobras estaria mais blindada às influências políticas. "A tendência é de que Alckmin iria profissionalizar mais a gestão do setor energético", comentou, lembrando que isso significaria tratar a estatal como uma empresa privada.Ambos os especialistas concordam que os dois principais desafios para o próximo governo eleito são a questão da lei do gás e uma maior definição nas políticas de regulamentação ambiental, especialmente a voltada para o setor elétrico."É preciso que o novo governo, seja qual for o presidente, saiba exatamente o que quer nesta área. Se for para manter as atuais restrições ambientais, então que se pense em planos B, C, ou D para ampliar a oferta de energia", comentou o professor da UFRJ, Edmar de Almeida. Para Marco Aurélio Tavares, consultor da Gas Energy, a realização de um segundo turno para presidência da república é a oportunidade que o setor de gás natural vê para colocar a necessidade de uma lei do gás na pauta das discussões. "É muito bom, porque finalmente teremos um debate em torno do tema", opinou.Ele acredita que o próximo governo, "seja ele qual for", terá que reavaliar a política energética no âmbito do gás natural, visando atrair mais investimentos para garantir suprimento ao mercado interno."O novo modelo elétrico foi bastante interessante, e este não deverá ser mudado, mas é preciso aprofundar um pouco mais os aspectos relacionados ao seu gerenciamento, principalmente no que se refere à busca por investimentos. Isso está falho e tem que ser revisto", disse, frisando que os dois candidatos deveriam se comprometer a estabelecer "de uma vez por todas" o marco regulatório para o setor de gás natural."É preciso dar todas as garantias para que as empresas venham para este setor, tragam novos investimentos que façam frente às necessidades de crescimento da oferta para atender a toda a demanda que se espera no futuro", avaliou.PlanejamentoPara o presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Gás Natural (Abegás), Romero Silveira, o setor de gás natural "clama" por um planejamento estratégico. "O plano da Petrobras não reflete as necessidades do País. Reflete os objetivos empresariais da Petrobras. Precisamos de um plano ditado pelo Ministério de Minas e Energia", argumentou.Para ele, um bom exemplo da "miopia" do atual governo em relação ao setor de gás natural é a suspensão dos planos de se instalar uma planta de regaseificação de GNL, prevista na era FHC para Pernambuco. "Esta planta seria construída pela Petrobras em parceria com a Shell, no volume total de 6 milhões de metros cúbicos por dia. Muito se falou à época, cancelou-se este projeto no governo Lula, e hoje vemos que ela seria bastante útil e afastaria de uma vez por todas o risco de falta de gás para o Nordeste. Aliás, hoje vemos o próprio governo que renegou a idéia desta planta, rever sua posição e planejar construir outras", analisou.Ainda para o presidente da Abegás, o próximo presidente tem que "apostar fortemente no gás natural, como sendo um dos elementos propulsores do desenvolvimento no país", e não ficar "pensando em elevar os preços deste combustível, para reprimir o crescimento da demanda".

Agencia Estado,

02 de outubro de 2006 | 15h39

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