Setor de papel e celulose deve ter prejuízo

A maioria das companhias de papel e celulose da Bovespa deve ter prejuízo no segundo trimestre deste ano, revertendo o lucro líquido dos primeiros três meses de 2002. As projeções constam no relatório divulgado pela corretora BBV Brasil, num estudo prévio da safra de balanços que está para ser divulgada. Das seis empresas avaliadas pela analista Catarina Pedrosa, quatro saem do azul para o vermelho: Suzano, Bahia Sul, Klabin e Aracruz. A linha final positiva sobe apenas para Votorantim Celulose e Papel (VCP) e Ripasa. Segundo a especialista, os resultados operacionais serão bons, com aumento de 11% nas receitas ligadas à exportação. O principal motivo para a melhoria é a desvalorização do real frente ao dólar, de 22%. Por outro lado, nas despesas financeiras, o câmbio trará efeito negativo de 22% sobre as dívidas em dólares. A Klabin, segundo Catarina, deve apresentar o maior prejuízo, de R$ 193,3 milhões, revertendo lucro de R$ 7,5 milhões. "Muito provavelmente esse é o pior trimestre para a empresa, devido ao alto endividamento denominado em dólar." Ela acredita que o prejuízo financeiro líquido da empresa crescerá 235,8%, para R$ 306,7 milhões. O segundo pior resultado virá da Suzano, caso as projeções da BBV Brasil se confirmem. A analista espera reversão nos números de um lucro líquido de R$ 26,6 milhões para um prejuízo de R$ 111,6 milhões. De acordo com ela, a companhia colherá os benefícios da desvalorização na receita, já que exporta 34% do total. Apesar da melhoria operacional, o efeito do câmbio sobre os empréstimos pressionará os números. Além disso, haverá resultado negativo de equivalência patrimonial da Bahia Sul, que deve ter prejuízo de R$ 28,6 milhões, ante lucro de R$ 24,1 milhões, segundo a analista. A Aracruz, para a BBV, é a empresa que mais deve se beneficiar operacionalmente da desvalorização, mas também sofrerá o impacto negativo da depreciação sobre sua dívida líquida, que ao final do primeiro trimestre do ano atingia US$ 548 milhões. A expectativa é que a companhia saia de lucro de R$ 21,9 milhões para prejuízo de R$ 29,3 milhões. As únicas empresas que escapam dos efeitos nocivos do câmbio são VCP e Ripasa, na análise de Catarina. Para a VCP, a estimativa é que o lucro líquido suba 8,5%, para R$ 85,7 milhões. Segundo a analista, os lucros da VCP serão favorecidos não apenas pelo câmbio sobre as exportações, mas também por seu gerenciamento rígido de caixa e dívida. Essa administração deve permitir à empresa registrar uma despesa financeira líquida de R$ 8 milhões, mesmo com uma dívida líquida de R$ 1,2 bilhão no final do primeiro trimestre. A Ripasa, apesar de ser a que menos deve se beneficiar em termos de receita, pois exporta pouco, terá alteração pequena na linha financeira, que passará de positiva em R$ 1,6 milhão para negativa em R$ 5,9 milhões. Segundo a BBV, o lucro líquido da empresa subirá 5,9%, para R$ 20,5 milhões.

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