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Setor de petróleo terá linha especial do BNDES

Presidente do banco, Luciano Coutinho, diz que programa será lançado em breve e vai contemplar toda a cadeia de fornecedores da indústria

Kelly Lima / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

A cadeia de fornecedores da indústria do petróleo terá uma linha especial de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), revelou ontem o presidente da instituição, Luciano Coutinho. O novo programa deverá ser lançado "em breve", segundo ele.

"Nós temos um claro mapeamento de toda a cadeia. Temos trabalhado intensamente junto com a Petrobrás e outros produtores privados para identificar produtores brasileiros que possam se capacitar e também empresas estrangeiras que queiram vir para o Brasil."

Coutinho estima que apenas o primeiro elo da cadeia represente investimentos de R$ 100 bilhões nos próximos quatro anos, dos quais dois terços terão de ser financiados. "Apenas um terço desse investimento deverá vir de capital próprio", comentou, destacando que não é interesse do BNDES responder sozinho pelos dois terços restantes.

A Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) divulgou há algumas semanas estudo no qual prevê que investimentos da cadeia de petróleo até 2010 chegarão a US$ 400 bilhões. Já o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, comentou em recente palestra que esse volume pode ultrapassar os US$ 600 bilhões até a virada da década.

Sem querer entrar na polêmica sobre a recomendação do governo para que a Petrobrás mantenha seus investimentos no ritmo atual para não comprometer índices de inflação, Coutinho minimizou: "Não há intenção de reduzir investimentos".

Segundo ele, há uma expectativa de crescimento dos investimentos na cadeia de óleo e gás de 13% ao ano até 2014, o que deve somar US$ 216 bilhões, se forem incluídas petroleiras e não somente fornecedores. Entre 2006 e 2009, esse valor foi de US$ 117 bilhões. "O que se deseja é que o Brasil seja capaz de competitivamente ampliar o conteúdo nacional."

Coutinho confirmou que há uma proposta em discussão para considerar as exportações como crédito de conteúdo nacional para companhias que tenham essas empresas como fornecedoras globais. A proposta, apresentada por representantes da britânica Rolls-Royce, vem ganhando apoio de autoridades. O próprio Gabrielli já ressaltou que seria uma forma "mais inteligente" de promover a indústria local.

Pela iniciativa, a empresa que adquirir conteúdo local para unidades próprias em outros países ganha um crédito que compensaria a obrigatoriedade de aquisição local de bens pela exportação dos componentes.

Investimentos

LUCIANO COUTINHO

PRESIDENTE DO BNDES

"Nós temos um claro mapeamento de toda a cadeia. Temos trabalhado intensamente junto com a Petrobrás e outros produtores privados para identificar produtores brasileiros que possam se capacitar e também empresas estrangeiras que queiram vir para o Brasil"

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