setor de saneamento vê pouco impacto da crise hídrica nas tarifas, diz pesquisa

Executivos do setor de saneamento preveem que as tarifas de água e esgoto em todo o País serão reajustadas em 2015, mas não por impacto da crise hídrica, mesmo diante da necessidade de investimentos adicionais. A conclusão é de uma pesquisa realizada pela consultoria Pezco Microanalysis e obtida com exclusividade pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

STEFÂNIA AKEL, Estadão Conteúdo

05 Abril 2015 | 16h05

Segundo o levantamento feito entre dezembro de 2014 e março de 2015 com 134 profissionais do setor em todas as regiões do País, 47% dos consultados preveem reajuste real das tarifas este ano, enquanto 42% esperam correção pela inflação e somente 11% acreditam em um ajuste igual ou abaixo da inflação. Ou seja, para a maior parte dos executivos do setor, o reajuste não está ligado à crise hídrica. Somente 8,5% dos profissionais enxergam um impacto significativo desse motivo sobre as tarifas.

No bloco majoritário, dos que não enxerga esse impacto, há duas vertentes. Quem não acredite em elevação de tarifas, mesmo que os custos aumentem, por causa da "pressão social" (46,9%), e outro que não vê tarifas maiores em função de "ganhos de eficiência operacional", que virão com mais esforços de redução de perdas e melhor uso dos recursos captados (42,3%).

"A perspectiva de um aumento real das tarifas favorece investimentos no setor", avalia o economista Frederico Turolla, que conduziu a pesquisa na Pezco. Nos segmentos de água e esgoto, a maioria dos executivos espera aumento dos investimentos - 51% e 53,1%, respectivamente.

No entanto, uma parcela deles acredita que as companhias vão investir menos este ano. Segundo a pesquisa, 14,1% preveem menos investimentos em água e 17,2%, em esgoto. De acordo com Turolla, a dificuldade de obter crédito devido à situação fiscal do País e à Operação Lava Jato, da Polícia Federal, explica a possível freada de alguns investimentos.

Enquanto as companhias de saneamento em geral enfrentam a dificuldade de crédito, concessionárias públicas sentem também o peso da crise hídrica sobre as finanças. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), por exemplo, prevê queda de 26% nos investimentos em 2015, para R$ 2,4 bilhões. Além disso, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) informou na última semana que vai revisar para baixo o plano de investimentos de R$ 889 milhões para este ano, divulgado ao mercado no fim do ano passado.

Financiamento

A pesquisa conduzida pela consultoria aponta ainda que, de maneira geral, os executivos esperam um cenário mais apertado para o financiamento do setor neste ano. A maioria deles acredita que a queda principal será no financiamento público, mais do que em títulos e dívidas e multilaterais (financiamento estrangeiro).

Por outro lado, a abertura de capital e as tarifas foram os itens citados como os que representam maior expectativa de aumento de financiamento, o que indica que abrir o capital ainda é uma alternativa para algumas companhias. "A pesquisa mostra aumento da percepção de que os recursos públicos ficarão mais escassos para saneamento neste ano. Entretanto, no mercado de capitais, a percepção dos agentes sobre o financiamento não se deteriorou como em outros segmentos da infraestrutura", afirma Jorge Dietrich, consultor da Pezco.

A abertura de capital já foi almejada, por exemplo, pela CAB Ambiental, braço de saneamento do Grupo Galvão, que pediu recuperação judicial na semana passada. No entanto, a companhia cancelou sua oferta inicial de ações em 2011, após ter recebido ofertas abaixo da faixa esperada. "O valor atrativo e o cenário macroeconômico atual favorecem essa percepção de abertura de capital agora", avalia Turolla.

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