Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Setor de serviços tem alta de 0,9% em maio e indica crescimento mais forte da economia

Segundo o IBGE, todas as cinco atividades do setor tiveram aumento no mês; em 12 meses, alta é de 11,7%

Daniela Amorim e Cícero Cotrim, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2022 | 10h55
Atualizado 12 de julho de 2022 | 18h14

RIO E SÃO PAULO - O setor de serviços voltou a crescer em maio, corroborando as expectativas de economistas de um avanço na atividade econômica brasileira no segundo trimestre. O volume de serviços prestados no País teve uma expansão de 0,9% em relação a abril, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços divulgados nesta terça-feira, 12, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado superou as expectativas da maioria dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam uma alta de 0,2%.

De janeiro a maio, os serviços acumularam um ganho de 9,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 12 meses, a alta é de 11,7%. Com isso, o volume de serviços prestados chegou a maio operando em patamar 8,4% superior ao de fevereiro de 2020, antes do agravamento da crise sanitária no País. O setor de serviços é o mais importante da economia brasileira e representa cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado positivo se soma a outros indicadores que vêm mostrando uma expansão da atividade econômica. A produção industrial aumentou 0,3% em maio ante abril. O desempenho das vendas no comércio varejista será publicado pelo IBGE nesta quarta-feira, 13.

“O crescimento de serviços nessa primeira metade do ano foi impulsionado pela reabertura da economia, que também contribuiu para a recuperação do emprego, e consequentemente da massa salarial. Mesmo que o rendimento médio do trabalhador se mantenha baixo, o aumento da massa salarial acaba impulsionando o consumo de produtos e serviços, gerando um ciclo positivo para a economia”, avaliou Claudia Moreno, economista do C6 Bank, em nota.

Crescimento por atividade

Um destaque é que a retomada no setor de serviços agora tem ocorrido em todas as atividades pesquisadas pelo IBGE: transportes, informação e comunicação, serviços profissionais, serviços prestados às famílias e outros serviços. Todas registraram alta em maio. “Tanto as atividades de caráter presencial quanto aquelas que não são presenciais mostraram taxas positivas. Em meses anteriores, havia alternância”, disse Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE.

Lobo ressalta que, depois do choque inicial provocado pela pandemia, houve uma tendência de recuperação de atividades de serviços presenciais, em meio a oscilações. A leitura geral é de retomada, mas uma parte importante das atividades pesquisadas pelo IBGE segue operando em nível abaixo do pré-covid.

Em maio, por exemplo, os transportes passaram a operar 16,7% acima do nível pré-pandemia, enquanto os serviços prestados às famílias ainda estavam 7% abaixo. Também estão acima do nível pré-pandemia os segmentos de serviços de informação e comunicação (12,4% acima), serviços profissionais (6,1% acima) e de outros serviços (1%).

“Quanto maior o nível de emprego, quanto maior o nível de renda, quanto menor a inflação, mais a gente vai perceber essas atividades evoluindo positivamente”, disse Lobo. “Os serviços prestados às famílias são serviços de alguma forma supérfluos. Boa parte de serviços prestados às famílias é consumida por famílias de renda média e alta”, disse o gerente de pesquisa do IBGE.

Estimativa para junho

Apesar da melhora no setor de serviços até maio, economistas preveem que o crescimento deve desacelerar, refletindo uma perda do impulso do começo do ano. 

A Tendências Consultoria Integrada, por exemplo, acredita que a pesquisa do IBGE mostre tendência de crescimento mais baixo do setor nos próximos resultados. “Essa perspectiva é baseada no esgotamento do processo de recuperação tardia de grupamentos mais sensíveis ao quadro epidêmico e que ajudaram no crescimento do setor nos últimos resultados”, escreveu Thiago Xavier, analista da Tendências, em relatório.

Rodrigo Lobo, do IBGE, lembra que a inflação tem um efeito direto sobre o desempenho dos serviços. Os aumentos de preços de itens essenciais, como combustíveis, pesam mais no orçamento das famílias, restringindo os recursos disponíveis para o consumo de serviços. “Isso consome uma parte importante da minha renda, eu considero esse item como essencial, eu vou deixar de consumir outros itens”, explicou.

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