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Setor de serviços caminha para fechar o ano com o pior resultado desde 2003

Pela expectativa dos economistas, o setor responsável por quase dois terços do Produto Interno Bruto do País e que responde por cerca de 70% da geração de postos de trabalho terminará 2014 com uma pequena alta de 1% - ou até menos que isso

Alexa Salomão, Anna Carolina Papp, Josette Goulart, O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2014 | 03h00

O setor de serviços caminha para ter o pior desempenho em 11 anos. A expectativa dos economistas é que o Produto Interno Bruto desse segmento, o PIB de serviços, encerre 2014 com um crescimento de apenas 1% ou até menos, 0,9%, já descontada a inflação. Confirmada a tendência, o resultado só não será pior que o de 2003, quando o setor cresceu pífios 0,8%.

O setor de serviços é uma espécie de coração da economia. Responde por praticamente dois terços do crescimento do País. Também emprega quase 70% da mão de obra, com um detalhe importante: a maioria são trabalhadores menos qualificados, que recebem salários mais baixos. Em outras palavras, é o setor de serviços que garante a renda das famílias da base da pirâmide social. 

Segundo a economista da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro, a desaceleração começou em março e se espalha por vários segmentos. Transportes, intermediação financeira, compra e locação de imóveis são exemplos de atividades que estão freando. “É uma retração generalizada”, diz ela. 

Segundo Alessandra, até é possível dizer que o pior momento já passou, pois o segundo trimestre foi muito ruim. O setor de serviços cresceu apenas 0,2% e é difícil que o fosso se aprofunde. No entanto, a alta de 1,2% projetada para o terceiro trimestre deve ser seguida por um quarto trimestre novamente ruim - a projeção é que cresça em torno de 0,6%. 

Expectativas tão desanimadoras justamente no final do ano, o momento em que as pessoas gastam mais para trocar presentes, têm uma explicação. O principal freio do setor de serviços é o varejo, que, dentro das regras adotadas para o cálculo do PIB, faz parte de serviços. 

Assim como outros analistas que acompanham o crescimento, o economista da LCA Consultores, Bráulio Borges, visualiza que o comércio não vai reagir. Borges diz que o segmento deve crescer apenas 0,5% em 2014. Para o setor de serviços, a LCA projeta um crescimento desalentador de apenas 0,9%.

Inflação. Para Borges, no entanto, a desaceleração pode dar uma contribuição positiva ao conjunto da economia. A inflação de serviços acumulada em 12 meses está entre 8% e 8,5%, bem acima da inflação oficial, que em 12 meses encerrados em agosto ficou em 6,51%. Nesse sentido, acredita Borges, a desaceleração do setor pode fazer com que os preços cedam. Em São Paulo, por exemplo, os preços dos estacionamentos, que chegam a R$ 25 a hora, caíram pela primeira vez.

A grande incógnita ainda é o comportamento do emprego. O economista da Fecomércio-SP, Fábio Pina, diz que a desaceleração ainda não se refletiu em demissões porque há carência de profissionais qualificados e as empresas evitam demitir.

O cenário, porém, não é bom. Existe a expectativa de que a renda não cresça neste ano. Como a inflação segue resistente, a tendência é que as famílias cortem gastos em serviços, considerados supérfluos, complicando a preservação do emprego. “Quanto pior a situação, mais racional o consumidor, e em algum momento as pessoas cortam despesas: trocam o plano do telefone, o da TV a cabo, vão economizando”, diz Pina. 

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