EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO
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Com maior peso no PIB, setor de serviços puxa avanço da economia

Responsável por 75,8% do PIB, setor, que inclui atividades do comércio, cresceu 1,3% em 2018; inflação controlada e desemprego ligeiramente menor que em 2017, contribuíram para o resultado

Daniela Amorim, Renata Batista e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2019 | 11h48
Atualizado 28 de fevereiro de 2019 | 21h23

RIO - O setor de serviços, que responde por 75,8% do Produto Interno Bruto (PIB), cresceu 1,3% em 2018, e foi o que mais contribuiu para o avanço da economia, ao registrar taxas positivas em todas as sete atividades pesquisadas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quinta-feira, 28. Atividades imobiliárias, que cresceram 3,1%, e comércio, 2,3%, foram os ramos que mais influenciaram o desempenho do setor.

De acordo com a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Cláudia Dionísio, a estabilização da economia, com inflação e juros baixos, contribuiu para o avanço do segmento. “Essas atividades foram beneficiadas por um mercado mais estabilizado, aliado à inflação mais controlada e pelo desemprego ligeiramente menor que o do ano passado”, apontou.

No quarto trimestre de 2018, o PIB de serviços subiu 0,2% contra o terceiro trimestre do ano. Na comparação com o quarto trimestre de 2017, o PIB de serviços mostrou alta de 1,1%.

Segundo o IBGE, o PIB nacional repetiu o resultado de 2017 e avançou 1,1% no ano de 2018, somando R$ 6,8 trilhões. No quarto trimestre, o crescimento foi de 0,1% em comparação com o trimestre imediatamente anterior. A alta anual leva a atividade econômica ao mesmo patamar do primeiro semestre de 2012, mas o PIB ainda encontra-se 5,1% abaixo do pico alcançado no primeiro semestre de 2014.

Consumo das famílias tem alta

Apesar da situação ainda precária no mercado de trabalho, o consumo das famílias brasileiras foi o principal motor da economia no ano passado. O avanço foi de 1,9% no ano de 2018, ainda aquém do patamar pré-crise.

“O mercado de trabalho está melhorando, mas a renda está crescendo em ritmo muito lento. Essa melhora, mesmo que seja pequena, já ajuda o consumo das famílias. Se todo o mundo que está entrando no mercado de trabalho tivesse carteira assinada, a renda estaria crescendo mais”, explicou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Além do crescimento da massa salarial real, o consumo foi impulsionado em 2018 pelo avanço nas concessões de crédito para pessoas físicas e por um alívio nas taxas de juros. A inflação ainda comportada também incentivou o brasileiro a gastar.

“A taxa de juros para o consumidor ainda tem o que cair, está em 49% ao ano, mas pode chegar a 45% ainda em 2019”, lembrou Fabio Bentes, chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A CNC prevê que o consumo acelere o ritmo de recuperação este ano, com uma alta de 2,6%, puxada pela melhora no crédito, mas também por uma projeção de geração de 850 mil postos de trabalho com carteira assinada, como registrado no Caged, cadastro federal.

“O mercado de trabalho é o que dá combustível ao consumo das famílias. A preocupação não é nem com a taxa de desemprego, é com a subutilização da força de trabalho. A informalidade está muito alta, temos desalentados e subocupados em níveis recordes”, lamentou Bentes.

A melhora na confiança de consumidores e empresários ainda é puxada pelas expectativas mais otimistas com os próximos meses do que por uma avaliação favorável do momento atual, lembrou Leonardo Mello de Carvalho, técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “É preciso que se reduza o nível de incerteza para que o empresário volte a investir.”

Círculo vicioso

Para a economista Mônica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington (EUA), a economia está vivendo um “processo endógeno, que se retroalimenta”, no qual o elevado desemprego impede um crescimento maior do consumo, o que inibe a demanda por novos investimentos, que, por sua vez, freia a geração de empregos.

O consumo das famílias puxou também a alta de 1,3% no PIB de serviços em 2018. O destaque foi justamente a atividade de comércio, que avançou 2,3% ante 2017.

Nesse quadro, segundo o IBGE, o crescimento do ano passado foi dependente da demanda interna, que cresceu 1,6% ante 2017. A atividade econômica só não avançou mais porque o setor externo teve contribuição negativa, tirando 0,5 ponto porcentual do crescimento de 2018.

 

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