Setor de serviços domina IPOs brasileiros nos últimos 18 meses

Das 18 aberturas de capital na bolsa no período, a metade envolveu companhias prestadoras de serviço

Yolanda Fordelone, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2011 | 00h00

Mercado interno aquecido, aumento da renda e redução do desemprego a níveis recordes foram uma combinação ideal para que a demanda por serviços aumentasse. Em momento de alta na taxa de juros, as empresas do setor driblaram o crédito caro e foram reforçar o caixa no mercado de ações: das 18 ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) registradas na BM&FBovespa entre o início de 2010 e julho de 2011, a metade envolveu prestadoras de serviços.

"Como as empresas não estavam preparadas para um aumento tão grande da demanda, elas tiverem de captar recursos para investir. Optaram pela bolsa porque é mais barato, ainda mais em um cenário de alta do juro", diz Osmar Camilo, analista da corretora Socopa. As companhias do segmento que abriram capital no período foram: Aliansce, Multiplus, OSX Brasil, Ecorodovias, Mills, BR Insurance, Sierra Brasil, Time For Fun e Qualicorp.

Para o economista José Góes, da WinTrade, essa "corrida" pelo IPO é natural. "O setor de serviços elevou a participação no PIB, e a maioria das ações da Bolsa ainda é de uma época em que a indústria era o maior setor", diz. Em 2010, os serviços representaram quase 70% do PIB nacional.

Investidor. Analistas afirmam que as perspectivas são, em geral, positivas. "A demanda doméstica cresceu e essas empresas são na maioria voltadas para o mercado interno", diz Camilo. Além disso, como o setor de serviços não concorre com os importados, fica mais fácil para as empresas reajustar preços.

O desempenho das ações reflete o cenário favorável. Entre as empresas destacadas por especialistas, a Mills - que atua nos setores de construção civil e infraestrutura - teve o melhor desempenho. Os papéis da companhia subiram 85% desde o IPO, em abril de 2010, enquanto o Ibovespa caiu 17,35% no período.

A BR Insurance, do setor de seguros, é outra ação mencionada por analistas. A companhia é formada por 27 corretoras que uniram seu portfólio de produtos. Desde a abertura de capital, em novembro de 2010, as ações subiram 45,82%, enquanto o Ibovespa teve queda de 17,52%.

Na ponta contrária, está a OSX, que deu um grande prejuízo aos investidores que apostaram em seu papel. Segundo especialistas, a empresa só existe no papel, ainda não opera e entrega resultados de fato. Os papéis acumulam queda de 53,13% desde o IPO, em março de 2010.

O bom desempenho até agora, porém, não é garantia de boa rentabilidade futura. No caso de IPOs, além das condições de mercado, os investidores devem estar atentos ao prospecto - documento divulgado pela empresa na época da oferta. Quem quer comprar essas ações agora precisa observar a regra geral para o mercado de ações: apenas o dinheiro que não tem uma data certa para ser resgatado deve ser colocado em Bolsa.

Apesar do aumento dos IPOs no setor de serviços, o mercado de ofertas anda a passos lentos em 2011. No começo do ano, analistas chegaram a projetar captação de R$ 55 bilhões, número que ainda não atingiu R$ 12 bilhões. O motivo foi uma crise maior do que esperada nos países da Europa e, agora, nos EUA. Os juros em alta também desestimulam o investimento em ações.

Por isso, nas ofertas mais recentes, a quantidade de participantes tem diminuído. No IPO mais popular entre as empresas de serviço nos últimos 18 meses - o da Sierra Brasil -, 3,3 mil pessoas físicas participaram. No passado, ofertas como a da Anhanguera Educacional atraíam mais de 10 mil interessados.

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