Setor de serviços é beneficiado com alta nas vendas

Cresce procura por feirões, seguro, despachantes e auto-escolas

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

14 de abril de 2008 | 00h00

Além dos setores diretamente ligados à produção e venda de veículos, como fabricantes de autopeças e concessionárias, os prestadores de serviços também se beneficiam do boom de vendas de automóveis, embora nem sempre seus resultados acompanhem a proporção do desempenho da indústria automobilística.A MSantos, especializada em varejo automotivo, realizou no ano passado na Grande São Paulo 63 feirões de veículos em concessionárias, shoppings e áreas abertas, ante 41 em 2006.Só no primeiro trimestre deste ano foram 17 eventos, 32% a mais que em igual período do ano passado, informa Mário Santos, proprietário da empresa. Há finais de semana em que faltam terrenos na cidade para os feirões.A venda de seguros teve crescimento de 12,3% no primeiro bimestre deste ano, com total de R$ 2,3 bilhões em prêmios arrecadados. No mesmo período, o comércio de veículos novos cresceu 38,7% em relação aos dois primeiros meses de 2007. No acumulado do trimestre, a alta nas vendas dos carros ficou em 31%, mas os dados das seguradoras ainda não estão disponíveis.A Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg) projeta crescimento de 15% para este ano, com valores próximos a R$ 15,6 bilhões. O índice se aproxima do projetado pelas montadoras para as vendas de veículos, que devem chegar ao final do ano com elevação de 17,5% em relação aos 2,46 milhões de veículos comercializados no ano passado.De acordo com Neival Rodrigues Freitas, diretor executivo da Fenseg, no ano passado, quando as montadoras venderam quase 27,7% mais que em 2006, o setor de seguros cresceu apenas 2%, com R$ 13,6 bilhões em contratos. "O crescimento foi modesto porque tivemos substancial redução de preços nos seguros", explica.RECUPERAÇÃOA queda de preços, segundo Freitas, está conectada à redução dos índices de roubos e furtos e ao aumento da recuperação de veículos. "Este ano, com a estabilidade nos preços, esperamos uma recuperação."Para os despachantes, os negócios aumentaram entre 5% e 6% no ano passado, informa Carlos Vitor Celestino Bueno, diretor do Sindicato dos Despachantes Documentalistas no Estado de São Paulo. A entidade representa 3,5 mil despachantes que providenciaram, em média, 4 milhões de documentos em 2007. De acordo com Bueno, ao mesmo tempo em que aumentaram os serviços voltados ao comprador de carros novos, caíram aqueles prestados aos donos de veículos usados.De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), em média 100 mil pessoas tiram Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por ano na capital de São Paulo. O número é cerca de 5% superior a outros anos, segundo José Guedes, presidente do Sindicato das Auto Motos Escola."Como nossa atividade é muito predatória, esse crescimento não se reflete em retorno financeiro", reclama Guedes, que não divulgou números.

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