Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Setor de serviços recua 4,5% e tem pior desempenho desde 2012

Queda em comparação com julho de 2015 foi o 16º resultado negativo consecutivo, segundo o IBGE

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2016 | 10h02

RIO - O volume de serviços prestados cresceu 0,7% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com julho do ano anterior, entretanto, houve recuo de 4,5%, já descontado o efeito da inflação, o pior desempenho para o mês dentro da série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços, iniciada em 2012. Em junho de 2016 ante junho de 2015, a taxa foi de -3,4%.

Segundo Roberto Saldanha, analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, o crescimento de 0,7% no volume de serviços prestados no País na passagem de junho para julho não recupera as perdas do setor. O volume de serviços ainda foi 4,5% menor do que o registrado no mesmo de do ano passado, com recuo disseminado entre as cinco atividades pesquisadas. "O crescimento não recupera a perda. Teria que ter uma sequência de crescimento para eliminar a perda do ano passado", afirmou.

"Não dá para avaliar que há um início de recuperação, porque teve Jogos Olímpicos e foi um mês de férias. A gente só pode dizer que houve uma sequência de recuperação quando acabar toda a sequência de Jogos Olímpicos e voltar ao normal, mantendo o crescimento", disse Saldanha.

Na passagem de junho para julho, apenas os transportes e correio registraram recuo no volume de serviços prestados. A queda no segmento de Transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio foi de 0,3%, de acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços. Houve crescimento no volume dos Serviços prestados às famílias (3,2%); Outros Serviços (1,9%) e Serviços profissionais, administrativos e complementares (0,3%). O agregado especial das Atividades turísticas cresceu 0,7% em julho ante junho.

A perda no segmento de transportes deu a maior contribuição para retração nos serviços em julho: -2,7 ponto porcentual. Os Serviços profissionais, administrativos e complementares contribuíram com -1,0 ponto porcentual; Serviços de informação e comunicação -0,6 ponto porcentual; Serviços prestados às famílias, -0,1 ponto porcentual; e Outros serviços, -0,1 ponto porcentual.

A realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro ajudou a aumentar o volume de serviços prestados em julho ante junho, segundo Roberto Saldanha, analista da Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O evento teve reflexos positivos não apenas na cidade sede, o Rio, mas também em outros estados. 

"O efeito da Olimpíada vai se dar principalmente em agosto, mas ele já começou em junho, julho e certamente vai ter efeito ainda em setembro também. Porque muitas empresas foram contratadas para prestação de serviços, como informática, locação de geradores, máquinas e equipamentos de apoio em geral para os jogos olímpicos. Empresas de outros estados foram contratadas para trabalharem aqui no Rio", contou Saldanha.

O agregado das atividades turísticas teve ganho de 0,7% em julho ante junho, mas outros segmentos também foram beneficiados, como serviços de informação e comunicação, serviços profissionais e serviços prestados às famílias. 

Como há outros segmentos fortes na Pesquisa Mensal de Serviços ainda com recuos relevantes, como os transportes, o correto seria dizer que a Olimpíada amenizou as perdas no setor de serviços, segundo o analista do IBGE.

Ele ressalta que a Olimpíada ajudou, mas que não consegue recuperar sozinha o setor de serviços . Há grandes empresas ainda com receita em queda, sem novos projetos, sobretudo no setor de óleo e gás. O avanço na demanda só ocorrerá com a retomada dos investimentos, afirmou o pesquisador.

"Há empresas de grande porte com queda absurda de receita. Você liga para confirmar, e eles dizem 'nós não temos projetos'. Só vai ter demanda quando retomar os investimentos. Daí essas empresas passam a ser contratadas. Principalmente as empresas que prestam serviços na área de óleo e gás, elas estão sem projetos", disse Saldanha. 

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