Sandra Carvalho/Estadão
Sandra Carvalho/Estadão

Setor de serviços sobe 0,1% em fevereiro, aponta IBGE

Apesar do resultado melhor na comparação mensal, o volume de serviços prestados acumulou queda de 1,8% no ano; recuperação do segmento segue fraca, afirmam analistas

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2018 | 09h04

RIO - Em fevereiro, o volume de serviços prestados no Brasil registrou aumento de 0,1% ante janeiro, na série com ajuste sazonal divulgada nesta sexta-feira, 13, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o volume de serviços acumulou queda de 1,8% no ano.  O acumulado nos últimos doze meses também ficou negativo (-2,4%) em fevereiro de 2018. Economistas afirmam que a retomada do segmento ainda deve prosseguir de forma bem modesta. A expectativa para o setor medida pelo Projeções Broadcast ia de queda de 0,80% a alta de 0,90%, com mediana de 0,2%.

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O setor de serviços ainda não mostra sinais de recuperação, avaliou Rodrigo Lobo, analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.  A queda de 2,2% no setor de serviços registrada em fevereiro ante igual mês do ano anterior representa uma aceleração do ritmo de perdas, apontou Lobo. Em janeiro, o recuo tinha sido de 1,5%. Em dezembro, houve crescimento de 0,6%, que interrompeu uma sequência de 32 quedas consecutivas. 

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O setor de serviços ainda opera 12,6% abaixo do pico de atividade registrado em novembro de 2014. Ao mesmo tempo, o patamar atual está apenas 1,0% acima do ponto mais baixo da série, que foi alcançado em março de 2017.  "Os serviços estão muito mais próximos do ponto mais baixo da série do que do ponto mais alto. Não está mais no nível mais baixo, mas não mostra sinais claros de recuperação", apontou Rodrigo Lobo. 

Ainda que seja um desempenho um pouco mais favorável no mês do que a queda de 1,9% de janeiro (ver gráfico), os analistas afirmam que a recuperação prossegue fraca, pois os condicionantes do consumo também continuam fragilizados. Exemplo atual dessa percepção foram as vendas do varejo de fevereiro, que decepcionaram boa parte do mercado.

"Depois do resultado de janeiro, o ímpeto em relação à retomada de serviços diminuiu. As vendas do varejo corroboram essa estimativa", afirma o economista Vitor Velho, da LCA Consultores.

"Serviços prestados estão correlacionados à PMC. O canal de crédito ainda não está dando sinal forte de melhora. O Banco Central vem atuando para tentar diminuir os spread [diferencial entre taxas de captação e aplicação de recursos], mas o juro para o consumidor segue elevado, assim como o desemprego", explica Velho.

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Apesar do bom resultado em dezembro, no mês seguinte o resultado voltou a ficar negativo, o que acendeu sinal amarelo. "E o resultado positivo não deve vir agora. Há tendência de recuperação, porque as quedas têm diminuído, mas ainda não há retomada propriamente dita", diz o economista Alejandro Padron, da 4E.

O próprio IBGE já havia reconhecido que o volume de serviços ainda não esboça reação. Segundo o gerente da pesquisa no instituto, Rodrigo Lobo, para que isso aconteça é preciso recuperação mais consistente do comércio, da indústria, do consumo das famílias e do mercado de trabalho.

Além do varejo, a produção industrial também ainda está cambaleante. Depois de ceder 2,2% em janeiro, a produção do setor teve alta modesta de 0,2% em fevereiro na comparação com o mês anterior.

 

 

Atividades. O setor de serviços registrou quedas disseminadas entre as atividades pesquisadas na passagem de janeiro para fevereiro. O único segmento a escapar do vermelho foi o de serviços profissionais e administrativos, que avançaram 1,7% em fevereiro ante janeiro.

"Foram os Serviços profissionais que sustentaram sozinhos essa alta de 0,1% na média global em fevereiro ante janeiro", apontou Rodrigo Lobo, analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

Entre os serviços mais pesados dentro dessa categoria de serviços profissionais estão os relacionados a segurança, limpeza, meios de pagamento, engenharia e atividades jurídicas. "No mês passado, essa atividade tinha recuado 2,3%, então essa alta não recupera a perda anterior. Essa atividade, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, ela recua há 35 meses", ponderou Lobo.

Os serviços prestados às famílias recuaram 0,8% em fevereiro ante janeiro; os serviços de informação e comunicação caíram 0,6%; transportes e correio tiveram uma perda de 0,3%; e o segmento de outros serviços diminuiu 0,7%.

O agregado especial das Atividades turísticas apresentou uma queda de 4,0% na passagem de janeiro para fevereiro

 

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