Eros Hoagland/The New York Times
Eros Hoagland/The New York Times

Setor de serviços sobe 1% em abril, mas greve vai trazer perdas

Próximos resultados serão afetados pela greve dos caminhoneiros, diz IBGE; transportes têm peso de 30% na pesquisa

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2018 | 09h01

RIO - Pouco antes da greve de caminhoneiros, que paralisou o abastecimento de alimentos e combustíveis em maio, a atividade econômica parecia ensaiar uma recuperação mais consistente. Indústria, varejo e serviços mostraram bom desempenho em abril, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume de serviços prestados na economia cresceu 1,0% em relação a março, o primeiro resultado positivo do ano, informou nesta quinta-feira, 14, o instituto.

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Agora, economistas aguardam uma perda para o mês de maio, mas têm dificuldades de prever a velocidade de recuperação quando terminados os efeitos da greve.

“Os dados da indústria, do varejo e de serviços vieram mais fortes que a expectativa do mercado e, se não fosse a greve, poderiam dar um viés positivo para as projeções de PIB (Produto Interno Bruto). Agora, temos que analisar o tamanho da perda em maio e da compensação dos resultados de junho para saber o real impacto sobre a atividade”, disse o economista Vitor Velho, da LCA Consultores.

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Para a economista-chefe da consultoria Rosenberg Associados, Thaís Zara, o aumento no volume de serviços prestados em abril é mais um indício de que a recuperação da economia poderia ficar mais vigorosa no segundo trimestre. “Estávamos caminhando para uma retomada um pouco mais rápida, mas provavelmente só vamos ver isso no segundo semestre.”

A greve, que durou 11 dias, afetará os resultados da Pesquisa Mensal de Serviços de maio, confirmou Rodrigo Lobo, analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

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“O setor que provavelmente vai sentir mais esse efeito é o setor de transportes, que tem peso de 30% na pesquisa. O transporte rodoviário de carga pesa quase 10%, é o segundo maior, atrás apenas de telecomunicações”, afirmou Lobo.

Transportes era o setor que vinha mostrando comportamento mais positivo ao longo de 2017 e 2018, graças ao transporte de cargas em geral, impulsionado pelas atividades industrial e agropecuária. Em relação a abril do ano passado, transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio tiveram avanço de 4,4%, enquanto a média global dos serviços cresceu 2,2%.

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