Rafael Arbex/Estadão
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Setor de serviços tem leve recuperação e receita cresce 6,1%

Melhora do segmento em março deve ser vista com cautela, alerta IBGE; no trimestre, alta de 2,9% na receita foi a menor em três anos

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo - Atualizado às 12h25

20 Maio 2015 | 09h21

RIO - Depois de registrar o menor crescimento na série histórica por dois meses consecutivos, o setor de serviços retomou fôlego e expandiu sua receita nominal em 6,1% em março ante março do ano passado, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas o resultado deve ser encarado com reservas, alertou Roberto Saldanha, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do órgão. 

"Eu chamaria de uma ligeira recuperação. Mas ainda está muito abaixo das taxas verificadas em outros meses, principalmente o período antes do segundo semestre de 2014", afirmou Saldanha.

No acumulado do trimestre, a receita teve alta de 2,9% ante igual período de 2014 - o menor porcentual já verificado na série iniciada em 2012. "Isso ocorreu em função dos dois primeiros meses do ano, que foram meses muito fracos", explicou o gerente. Em janeiro, a receita nominal de serviços cresceu 1,8%, enquanto em fevereiro a alta nominal foi de 0,9%, sempre na comparação interanual. Esses também foram os menores resultados da série.

Entre janeiro e fevereiro, o segmento de transportes foi o que mais deprimiu a atividade de serviços, em função do excesso da oferta de fretes e da baixa demanda. Além disso, o ajuste fiscal tem provocado uma restrição de despesas no setor público. "Nós temos hoje um quadro de desaquecimento na indústria e no comércio. No geral, os governos estão num processo de contenção orçamentária e, com isso, cortando seus gastos", detalhou Saldaha.

Agora, com o resultado de março, os serviços acumulam alta de 4,6% na receita nominal em 12 meses, sem descontar a inflação. Trata-se do menor resultado nesta base em toda a série, iniciada em janeiro de 2013 neste tipo de confronto.

Transportes. Já em março, os serviços de transportes tiveram alta de 8,7% na receita ante igual mês do ano passado. O aumento foi puxado pelo aquecimento da demanda no setor agropecuário e colocou o setor como principal impacto positivo no resultado do mês.

"Houve significativa exportação de grãos e carnes. Março foi o primeiro mês em que a balança comercial brasileira ficou positiva, o superávit foi de US$ 458 milhões. Então, o aquecimento da demanda foi do setor de agrobusiness. Por parte da indústria, a demanda continua retraída", afirmou Saldanha. Segundo ele, a valorização do dólar ante o real foi um estímulo às vendas para o exterior, o que impactou a demanda por fretes.

O transporte aéreo, na contramão, registrou queda nominal de 3,3% na receita contra março de 2014. "Ao contrário de fevereiro, quando houve queda nominal em função da menor demanda corporativa, o transporte aéreo teve queda em março em função da redução de tarifas", explicou o gerente do IBGE. 

Famílias. Os serviços prestados às famílias, por sua vez, foram atingidos em cheio pela retração na renda dos trabalhadores no mês de março. A receita nominal do setor em março avançou 2,5% em relação a igual mês do ano passado. Nesse mesmo mês, a renda média dos trabalhadores sofreu retração, em termos reais, de 3,0% ante março ano passado. No mesmo período, a massa de renda caiu 3,8%.

"Observou-se retração na renda média das famílias, e isso afeta o consumo. Além disso, os preços praticados pelos serviços prestados às famílias têm se situado acima do IPCA geral, e isso tem levado as famílias a serem mais seletivas em suas opções de consumo", afirmou Saldanha. Segundo ele, os segmentos mais afetados são alojamento e alimentação fora de casa.

"Ocorreu também um problema de efeito base, porque o carnaval em 2014 ocorreu em março, enquanto em 2015 ocorreu em fevereiro. O carnaval é bom para o setor", disse o gerente. 

Ajustes. A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) foi inaugurada em agosto de 2013, com série histórica desde janeiro de 2012. A pesquisa produz índices nominais de receita bruta, desagregados por atividades e com detalhes para alguns Estados, divididos em quatro tipos principais: o índice do mês frente a igual mês do ano anterior; o índice acumulado no ano; o índice acumulado em 12 meses; e o índice base fixa, comparados à média mensal obtida em 2011.

Ainda não há divulgação de dados com ajuste sazonal (mês contra mês imediatamente anterior), pois, segundo o IBGE, a dessazonalização requer a existência de uma série histórica de aproximadamente quatro anos.

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