Setor de serviços teve avanço de 0,7%

Mudança de cálculo na pesquisa do IBGE aponta melhora no cenário; com dados de fevereiro, já são 4 meses seguidos de resultados positivos

Daniela Amorim e Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2017 | 05h00

RIO - O volume de serviços prestados no País cresceu 0,7% na passagem de fevereiro para janeiro, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A exemplo do que já tinha ocorrido no varejo no dia anterior, uma mudança na metodologia de cálculo da pesquisa trouxe um cenário aparentemente mais benigno.

Uma revisão no resultado de janeiro fez os serviços passarem de uma queda de 2,2% para um avanço de 0,2%. Já são quatro meses consecutivos de resultados positivos. Com o desempenho também mais favorável do comércio, os dados podem levar a uma expectativa maior entre os analistas de avanço no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano.

As dúvidas em relação a um crescimento um pouco mais considerável da economia no primeiro trimestre parecem estar diminuindo, declarou o economista Luiz Castelli, da GO Associados. “Antes, considerávamos que a alta seria puxada mais pela agropecuária. Agora, os dados indicam que a percepção de melhora está mais difundida”, explicou Castelli.

O economista-chefe da Parallaxis Consultoria, Rafael Leão, manteve sua previsão de uma estabilidade no PIB do primeiro trimestre de 2017, mas com viés “ligeiramente positivo”.

“Se antes das revisões estava com estimativa de alta de 0,5% para o PIB deste ano, com viés negativo, agora, o cenário começa a dar mais segurança e a previsão é de viés positivo. Demonstra que a saída da recessão começa a aparecer”, avaliou Leão.

A mudança metodológica realmente sugere uma evolução relativamente mais benigna do setor de serviços nos dois primeiros meses deste ano, confirmou a Tendências Consultoria Integrada. “Contudo, cabe observar que o setor não deve apresentar trajetória de recuperação rápida, em razão das condições de ajuste no mercado de trabalho e também pelas restrições no mercado de crédito”, ponderaram os economistas Alessandra Ribeiro e Thiago Xavier, da Tendências.

Causas. A maior demanda industrial e o arrefecimento da inflação ajudaram na melhora do setor de serviços nos últimos meses, disse Roberto Saldanha, analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

“Transportes vêm contribuindo para essa melhoria justamente pelo fato de ter maior demanda do setor industrial. Nos serviços prestados às famílias, embora ainda tenha desemprego em nível inadequado e queda na renda, estamos experimentando uma estabilização de preços, permitindo uma retomada do consumo”, contou o pesquisador do IBGE.

Os serviços prestados às famílias tiveram avanço de 0,6% em fevereiro ante janeiro, enquanto transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio cresceram 0,5%. Os serviços de informação e comunicação recuaram 1,5%, mas vinham de uma alta de 6,9% no mês anterior. De acordo com o pesquisador, essas são as três atividades que vêm contribuindo para as taxas positivas mostradas pelos serviços recentemente.

No acumulado em 12 meses, todas as atividades de serviços permanecem com perdas. Na média global, o volume de serviços prestados acumula uma retração de 5,0%.

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