Setor de serviços volta a mostrar recuperação

Safra agrícola recorde puxou o desempenho do setor para cima no primeiro quadrimestre

O Estado de S.Paulo

17 Junho 2017 | 05h00

O setor de serviços mostrou mais uma vez a importância da produção e da comercialização da safra agrícola para seu desempenho. O escoamento da safra recorde no primeiro quadrimestre fortaleceu as receitas de transportes terrestres e aquaviários, que avançaram, respectivamente, 2,2% e 6,6%, descontados os efeitos sazonais, ajudando o setor terciário a exibir alta de 1% entre março e abril. Foi o melhor resultado para abril desde 2014, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE.

A recuperação, porém, não se limita aos transportes. Ela se estende aos serviços de alojamento e manutenção das famílias, telecomunicações e tecnologia da informação e armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correios. Os índices positivos tiveram maior impacto do que os negativos, observados no transporte aéreo, nos serviços audiovisuais, edição e agências de notícias, outros serviços e turismo.

Nas comparações da atividade de serviços em geral com períodos mais distantes, os resultados ainda são ruins. Entre os primeiros quadrimestres de 2016 e 2017, o volume de serviços prestados caiu 4,9% e nos últimos 12 meses, até abril, comparado aos 12 meses anteriores, o recuo foi de 5%.

O setor terciário pesa cerca de 70% no PIB, mas depende da atividade primária (agropecuária e mineração), da indústria e do comércio, além do setor público – grande empregador de mão de obra e contratante de serviços. Também depende do nível do emprego privado e da evolução da massa de rendimentos das famílias.

Dados menos negativos relativos aos serviços às famílias – que têm peso importante na PMS – devem ser atribuídos à queda da inflação, que permite preservar melhor o poder de compra dos salários, e aos primeiros sinais de que o recuo do juro básico chega a algumas linhas de crédito ao consumo. As perspectivas, portanto, são favoráveis, pois inflação e juros tendem a seguir em queda.

Mas o dinamismo do agronegócio enseja outras constatações. Um impacto favorável inicial “se estende bem além do período em que ocorre inicialmente”, abrindo espaço “para o que em análise macroeconômica é chamado de efeito multiplicador”, escreveu o economista Roberto Macedo em seu mais recente artigo no Estado. Deverá ser bem maior, portanto, o impacto positivo dos recordes agrícolas sobre os serviços e a economia.

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