Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Setor de turismo pede alíquota de IR menor

Empresas pressionam Fazenda e dizem que havia promessa de Joaquim Levy de que cobrança seria de 6,38%, mas nova alíquota passou para 25%

Bernardo Caram, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2016 | 20h23

Um acordo feito pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy com o setor de turismo está travado pela equipe do ministro Nelson Barbosa. A promessa visava a garantir um aumento menor no imposto de renda cobrado sobre remessas ao exterior, que iria de zero para 6,38%, e não para os 25% que passaram a ser cobrados este mês.

Até o fim de 2015, remessas para pagamentos de serviços turísticos, de negócios e educacionais prestados no exterior eram isentas de imposto de renda retido na fonte, num limite mensal de R$ 20 mil. Para as agências de viagem, a isenção tinha o limite de R$ 10 mil por mês por passageiro. Com o fim da validade prevista em lei, no dia 31 de dezembro, a alíquota do tributo subiu para 25%. Na prática, a taxa passa a ser cobrada sempre que recursos forem destinados para o pagamento de serviços como de hotéis e transporte, por exemplo.

Em reunião em dezembro do ano passado, pouco antes de Levy deixar o cargo, ficou acertado que o governo aceitaria reduzir essa taxa para 6,38%, valor equivalente ao cobrado de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para gastos com cartões de crédito no exterior. A mudança seria inserida em uma Medida Provisória que já tramitava no Senado, mas acabou não se concretizando, porque o Congresso Nacional entrou em recesso antes da votação.

De acordo com fontes do governo, com a nova equipe da Fazenda, comandada agora por Barbosa, as conversas voltaram à estaca zero. Cálculos feitos pelo ministério apontam para uma arrecadação de R$ 2,7 bilhões neste ano com a alíquota de 25%. Em reunião feita na terça-feira, o secretário executivo da Fazenda, Dyogo Oliveira, argumentou às entidades do setor que a continuidade da desoneração, ainda que parcial, não foi considerada no Orçamento deste ano e que seria necessário estudar uma solução para o tema.

Com a indefinição, entidades que representam o setor estimam perdas de até R$ 20 bilhões para a economia, além da eliminação de 185 mil empregos diretos. “O Levy prometeu e fomos cobrar o que ele prometeu”, disse o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Edmar Bull . Segundo ele, se for mantida a taxa de 25%, haverá uma migração em massa das remessas para pagamentos com cartão de crédito, que tem cobrança 6,38% de imposto. Outro risco, seria o de brasileiros passarem a fechar pacotes diretamente em agências no exterior, escapando da taxa mais alta, o que causaria impacto ainda maior no setor.

Também presente na reunião com o secretário executivo da Fazenda, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves fez um apelo para que fosse mantido o acordo feito com Levy. “Será a contribuição do turismo ao ajuste fiscal. O setor vai sair da isenção total e passará a contribuir com imposto de renda equivalente ao IOF cobrado nas operações feitas no exterior com o cartão de crédito.”

O Ministério da Fazenda se comprometeu a apresentar uma proposta ao setor até terça-feira. Para um interlocutor de Barbosa, é muito provável que haja uma solução que contemple a demanda das entidades. O governo avalia que essa é uma das poucas desonerações que se compreende no atual momento, dado o impacto na economia e no emprego.

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