Setor de veículos reflete as dimensões da crise

O descompasso entre a oferta e a demanda de veículos ampliou-se muito em abril, com a queda das vendas de autos e comerciais leves ao consumidor final de 6,36%, em relação a março, e de 24,35%, em relação a abril de 2014, segundo a Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos (Fenabrave). Sem perspectivas de retomada no curto prazo, montadoras dão férias coletivas ao pessoal, mantêm trabalhadores em lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho), criam bancos de horas ou interrompem a produção.

O Estado de S.Paulo

07 Maio 2015 | 02h05

A Volkswagen decidiu paralisar a produção por dez dias na fábrica de São Bernardo do Campo, o mesmo ocorrendo com a fábrica da General Motors em São Caetano do Sul. Juntas, as duas empresas respondem por 1/3 das vendas no mercado interno e estão com estoques excessivos.

A crise atual é pior que a de 2008, disse o presidente da GM América do Sul, Jaime Ardila, à repórter Cleide Silva, do Estado. Já não há instrumentos disponíveis para abrandar a queda, como a redução do IPI, notou Ardila. Muitos consumidores se endividaram e os juros subiram, o que desestimula a aquisição de veículos financiados.

Entre os primeiros quadrimestres de 2014 e de 2015, as vendas de autos e comerciais leves diminuíram 18,39%, de 1,054 milhão para 860 mil unidades. Também caíram as vendas de caminhões, ônibus, motos, implementos rodoviários e máquinas agrícolas.

Em março, a Fenabrave estimava em 10% a redução das vendas de veículos neste ano. Mas, agora, prevê uma queda de 18,93%, de 3,497 milhões para 2,835 milhões de unidades. Já foram fechadas 250 revendedoras e esse número poderá atingir 800, se a crise persistir até o fim do ano. As demissões poderão alcançar de 35 mil a 40 mil pessoas, calcula o presidente da entidade, Alarico Assumpção Junior.

As vendas de veículos cresceram ininterruptamente entre 2004 e 2012, estabilizando-se em 2013 e caindo quase 6% no ano passado. Se as estimativas da Fenabrave se confirmarem, a queda das vendas, neste ano, será muito mais intensa do que a de 2014.

Sem um horizonte claro - o ajuste fiscal "é bem-visto para o futuro, mas, no curto prazo, terá efeitos negativos no bolso e na psique dos consumidores", disse ao Estado o presidente da GM do Brasil, Santiago Chamorro -, os investimentos tendem a diminuir e a retomada do mercado poderá ficar para 2017, se a política econômica for bem-sucedida.

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