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Setor elétrico demanda investimentos de US$ 60 bi em 10 anos

O sistema elétrico brasileiro vai demandar investimentos superiores a US$ 60 bilhões nos próximos dez anos, conforme projeções do presidente da Eletrobrás, Altino Ventura Filho, que participa do IX Congresso Brasileiro de Energia, iniciado hoje no Rio. Segundo ele, o país precisará adicionar a cada ano cerca de 3.000 MW de capacidade de geração de eletricidade, o que eleva o total para 30 mil MW nesse período, apenas para atender a demanda normal, com crescimento estimado de 4,9% ao ano. Cada MW exige investimentos entre US$ 2.000 e US$ 2.500, o que embasa a sua projeção. Sem criticar abertamente a opção que o governo tem apresentado para a expansão da capacidade através de termelétricas movidas a gás natural, Ventura foi enfático na defesa do sistema hidrelétrico. Na sua opinião, os rios brasileiros ainda são capazes de atender as necessidades nacionais pelos próximos 20 a 25 anos, com as outras fontes de energia tendo participações residuais. As regiões Sul/Sudeste/Centro-Oeste têm capacidade de geração estimada em 121 GW, dos quais apenas 46,7 GW foram aproveitados, enquanto na Amazônia a capacidade soma 113 GW, dos quais só foram aproveitados 4,86 GW, basicamente pela usina de Tucuruí. O Nordeste tem potencial para gerar 27 GW, já tendo aproveitado 10,1 GW. Ventura defendeu que a própria Eletrobrás assuma a construção da usina de Belo Monte, na Amazônia, pois considera que o empreendimento talvez não atraia o interesse do setor privado. "São 11 mil MW de capacidade em região com grandes questões ecológicas a serem administradas, inclusive o reassentamento de índios", justificou. Essa usina, porém, que será um das maiores do mundo quando for concluída, traria grandes benefícios ao consumidor brasileiro, pois teria tarifas competitivas e a energia gerada seria disponibilidade em qualquer ponto do território nacional devido ao Sistema Integrado Nacional (SIN). A participação direta da Eletrobrás na construção de usinas, porém, não é a prioridade da holding estatal de energia, na avaliação do seu presidente. Ele disse que a empresa está buscando parcerias com a iniciativa privada e teria muito a acrescentar. A empresa pode participar de novos projetos através de investimentos financeiros, além de cuidar de questões típicas de governo, como a questão ambiental. Após a usina entrar em operação, a Eletrobrás venderia a sua participação. "Não queremos competir com o setor privado, até porque o país está precisando muito de novos recursos a serem alocados ao setor", enfatizou.

Agencia Estado,

20 de maio de 2002 | 15h44

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