Setor elétrico e eletrônico prevê queda de 2% nas vendas

O setor elétrico e eletrônico deve apresentar este ano sua primeira queda de faturamento desde 2002. A Abinee, associação das indústrias do setor, reviu para baixo sua expectativa de receitas, projetando uma queda de 2%. A previsão anterior era de estagnação. O motivo foi o resultado do primeiro trimestre deste ano, que veio abaixo do esperado, principalmente em setores de consumo, como celulares e microcomputadores.

AE, Agencia Estado

06 de junho de 2009 | 09h45

?Os dados do primeiro trimestre foram bastante ruins e a indústria terá muita dificuldade para recuperar?, disse Humberto Barbato, presidente da Abinee. Segundo ele, o financiamento já retornou. ?Nosso problema é de confiança do consumidor. As pessoas param de comprar se estão com medo de perder o emprego.?

O faturamento setorial do primeiro trimestre apresentou queda de 12% ante o mesmo período de 2008. No ano passado, o crescimento havia sido de 10%. A única área que cresceu foi a de equipamentos de geração, transmissão e distribuição de energia, com expansão de 10% entre janeiro e março. A maior queda foi a de material elétrico de instalação, de 26%. ?Mesmo com o plano do governo de construção de casas, é um setor que demora um pouco para se recuperar?, explicou Barbato.

Apesar de não estar entre as maiores quedas, a baixa de 5% nas vendas da área de automação industrial preocupa. ?A Petrobras tem um peso muito grande nessa área, e os projetos da Petrobras continuam?, apontou Barbato. ?Outros setores de peso na automação industrial, como siderurgia, papel e celulose e açúcar e álcool, estão muito parados. Se não houver uma retomada, o nível de emprego pode cair.? Entre outubro e março, o indústria elétrica e eletrônica perdeu cerca de 6 mil empregos.

A diminuição no mercado elétrico e eletrônico vem após um período de expansão forte. Entre 2003 e 2008, o faturamento do setor praticamente dobrou, chegando a R$ 123,1 bilhões no ano passado. No trimestre passado, as vendas da indústria de informática caíram 16% e as de telecomunicações, 9%. Nos últimos anos, a demanda forte por PCs e celulares foi um dos destaques da indústria. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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